Gateway – Frederik Pohl

GatewayNovel
Ficha Técnica do Livro

  1. Título: A Porta das Estrelas (Gateway)
  2. Nome do autor: Frederick Pohl
  3. Tradutor: Eurico da Fonseca
  4. Nome da editora: Livros do Brasil – Lisboa, Coleção Argonauta N°355 e n°356
  5. Lugar e data da publicação: Lisboa, 1987;
  6. Número de páginas: Volume 1: 180, Volume 2: 171
  7. Gênero: Ficção Científica;
  8. Nota: ★★★★

Gateway (A Porta das Estrelas) foi escrito por Frederik Pohl em 1977 e recebeu os Prêmio Hugo e Locus de 1978, o prêmio Nebula de 1977 e o Prêmio Memorial de John W. Campbell de melhor romance de ficção científica. É o primeiro livro da saga Heechee, que teve várias sequências tendo até mesmo sido adaptado para um jogo de computador em 1992. Existe apenas uma edição em português, na famosa coleção argonauta, em dois volumes (355 e 356), recomendo a compra através do site Estante Virtual, existem alguns poucos (e raros) exemplares à venda.

Introdução ao Roteiro

No ano de 2077 o planeta Vênus tornou-se a mais nova fronteira para uma Terra super populosa (mais de 25 bilhões de habitantes), faminta e desesperada. Apesar de Vênus ser considerado um planeta gêmeo da Terra, tendo quase o mesmo tamanho e massa, sua atmosfera difere radicalmente da nossa devido à sua densa atmosfera de dióxido de carbono (96,5%), o que produz o mais forte efeito estufa do sistema solar, fazendo com que a temperatura ultrapasse facilmente os 420°C. Os colonizadores tem que lidar com as elevadas temperaturas e pressões dessa atmosfera.
Mas o verdadeiro interesse da humanidade em Vênus está abaixo dessa superfície infernal, em uma grande rede de túneis escavados ha mais de 500 mil anos atrás por uma raça alienígena tecnologicamente muito mais avançada que a nossa e que desapareceu misteriosamente, os Heechee. (Será que veio daí a ideia dos mundos labirínticos em Hyperion, de Dan Simmons? )
A esperança em encontrar tecnologias que ajudem a resolver o problema da super população da Terra levou centenas de exploradores a se aventurar nesses túneis. A maioria das descobertas eram de apenas artefatos sem utilidade aparente, sendo considerados apenas como curiosidades, pois os Heechee tinham limpado muito eficientemente os túneis antes de partirem ou desaparecerem, ou pelo menos assim parecia até que um explorador chamado Sylvester Macklin encontrou uma nave espacial funcional. Sylvester não anunciou sua descoberta, e tentando descobrir sozinho alguma forma de fazer funcionar a nave acabou acionando algum controle que fez com que a nave disparasse para fora da atmosfera de Vênus. Assim que a nave saiu do planeta ela acionou algum propulsor desconhecido que causou o desaparecimento da nave do espaço conhecido, entrando no que o autor chamou de espaço Tau, e ao retornar Sylvester descobriu aliviado que tinha voltado ao nosso sistema solar, e estava se dirigindo para uma imensa estação espacial em um asteroide ou núcleo de cometa oco que orbitava o Sol entre a órbita de Vênus e Mercúrio, mas estranhamente em outro plano que não o da eclíptica. A nave estacionou automaticamente em um hangar cheio de outras naves similares. Sylvester deixou a nave e começou a explorar a estação cheio de admiração e expectativa com a descoberta. Infelizmente ele não tinha alimentos ou água, e não conseguia partir com a nave novamente. Vendo-se preso e incomunicável, ele decidiu que sua morte não seria em vão: ele começou a mexer com as células de combustível até que causou uma enorme explosão. A explosão foi detectada pela NASA que enviou uma missão para o asteroide, e então revelou para a humanidade que a estação espacial Heechee tinha milhares de naves capazes de viajar para longínquos lugares no universo, transformando a estação na porta de entrada para as exploração de outros sistemas estelares.
Depois de muitos conflitos e discussões, decidiu-se que a estação era muito importante para ser entregue a apenas uma nação, e então foi criada a Companhia Gateway Enterprises, encarregada da exploração da tecnologia Heechee em nome dos Estados Unidos, da União Soviética, do Novo Povo da Ásia, da Confederação Venusiana e dos Estados Unidos do Brazil (sim, Frederick Pohl imaginou o Brasil como uma potência mundial no futuro).
Surge então uma nova forma de exploração espacial: a prospecção através das naves Heeches, e a estação em que estão essas naves passa a ser chamada de Gateway. Os prospectores são voluntários que partem nas naves rumo ao desconhecido na tentativa de descobrir novos artefatos, ferramentas ou tecnologias que possam ser úteis à humanidade, numa espécie de corrida do ouro galáctica.
Apesar de muito esforço, os cientistas humanos não são capazes de realizar engenharia reversa com as naves, e todas tentativas de abrir os motores causa uma grande explosão. O sistema de controle também é uma incógnita, e os destinos das viagens são desconhecidos. Muitas vezes as naves levam suas tripulações de uma pessoa, três ou no máximo cinco (dependendo do tipo de nave), até um destino catastrófico como um pulsar, uma nova ou muito próximo de uma estrela, causando a morte da tripulação. Todas as naves dispõe de um módulo que possibilita o pouso na superfície de planetas habitáveis.
A taxa de sucesso nas missões de prospecção no início da estória é de cerca 2357 lançamentos para 841 retornos das naves (ou seja, menos de 36%), muitas vezes sem que a tripulação volte viva ou bem.
Como forma de recompensar e estimular os voluntários, a corporação oferece prêmios como esses:

  • Bônus caso encontre uma civilização alienígena: 100 milhões de dólares;
  • Bônus se encontrar uma nave Heechee para mais de cinco pessoas: 50 milhões de dólares;
  • Bônus se encontrar um planeta habitável: 1 milhão de dólares;
  • Bônus de perigo: 0,5 milhões de dólares; O bônus nesse caso é para repetir destinos em que a tripulação de outra missão não retornou, para tentar descobrir o que aconteceu;

Os prospectores vivem o sonho de ficarem milionários da noite para o dia, e apostam suas vidas nisso.
Apesar dos riscos, muitos sonham abandonar a empobrecida, super populosa e faminta Terra com a esperança de enriquecer em Gateway. Robinette Stetley Broadhead — conhecido como Robin, Rob, Robbie ou Bob, dependendo das circunstâncias e de seu humor — é um jovem mineiro de comida na Terra que vence um prêmio de loteria que lhe garante dinheiro suficiente para comprar um bilhete só de ida para o Gateway, na esperança de enriquecer como prospector.
Inicialmente ele fica assustado com o perigo envolvido e atrasa o máximo possível sua primeira missão, mas como começa a ficar sem dinheiro ele acaba partindo em três viagens. Não escrevo mais sobre o roteiro para não estragar a surpresa, apenas adianto que a sorte de Robinette acabará trazendo além de dinheiro muitos problemas para sua já atormentada psique.

 Considerações sobre o livro

Robbie pode ser descrito como um perdedor: nasceu pobre, com sérios traumas de infância que causaram problemas psicológicos que o persiguiram por toda sua vida. Apesar de tudo isso ele acaba tendo sorte (ou não?) com suas viagens espaciais.
O livro foi escrito de forma muito competente, com uma narrativa que alterna entre a experiência de Robinette em Gateway e suas sessões de terapia com Sigfrid, um avançado computador psiquiatra, culminando no momento traumático de sua terceira e última viagem em uma nave Heechee. Além disso, no meio da história existem trechos de notícias, anúncios ou entrevistas onde o autor esclarece alguma coisa sobre os Heechees e o cotidiano em Gateway.
As sessões de terapia com Sigfrid são verdadeiras pérolas cheias de bom humor e tiradas inteligentes, e só por isso já valeriam a pena a leitura desse livro.
Pohl é um expert em expor ideias esotéricas de uma forma compreensível e fundamentadas fisicamente,  e até mesmo teorias complexas a dos buracos negros e pulsares são mostradas de forma a não assustar o leitor comum.
As descrições que o autor faz de detalhes tangíveis como os cheiros desagradáveis do ar reciclado e os inconvenientes do espaço confinado em Gateway e das naves Heechee são muito competentes e convincentes.
Em uma primeira análise parece incompreensível que os prospectores atirem-se de forma tão louca em direção ao desconhecido, utilizando a Heechee da mesma forma que um chipanzé usaria uma nave espacial humana! Mas na verdade isso pode ser considerado um paralelo com a obssessão com jogos de azar tão comum em tantas pessoas.

 Um livro cheio de bom humor e ironia, recomendo a leitura!

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9 comentários sobre “Gateway – Frederik Pohl

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  3. Fui procurar para ler em português e nada.

    O jeito é em inglês mesmo. 😛

    É uma pena que obras assim tenham sumido das estantes e que as editoras, como a Aleph, não se preocupem em resgatar esses caras. Pohl era um grande cara.

    Ótima resenha! 😀

  4. Gostei da resenha, Alessandro!

    só um comentário: li o original em inglês e depois li o da Argonauta. Infelizmente a tradução lusa presta um desserviço ao leitor: ela cortou quase todas as passagens referentes ao Brasil (!), que segundo a visão do Pohl ser tornaria uma das maiores potências mundiais nesse seu universo.

    Gateway pode ser achado hoje na Amazon americana, não sei se na brazuca.

    Abraço!

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