Revolta na Lua – Robert A. Heinlein

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Revolta na Lua (The Moon is a Harsh Mistress) é um romance de ficção científica do escritor norte americano Robert A. Heinlein, escrito em 1966 e vencedor do Prêmio Hugo de 1967, tendo sido indicado para o Nebula em 1966. Originalmente foi publicado em forma serializada na revista Worlds of If, foi publicado em português apenas na cultuada coleção Argonauta, em dois volumes (nº 119 e 120).
Para encontrar os dois volumes precisei garimpar vários sebos pelo Brasil, e só consegui encontrá-los através do site Estante Virtual, aproveito para recomendar para todos! Tive a experiência de comprar vários livros de diferentes livrarias e nunca tive problemas com a entrega ou qualidade informada dos livros.

Introdução ao roteiro
O ano é 2075, a Lua (Luna) foi colonizada com a criação de várias cidades subterrâneas. Os habitantes de Luna, chamados de Lunáticos (Loonies), são compostos principalmente de criminosos, exilados políticos e seus descendentes. A população total é de cerca de três milhões, com o dobro de homens, por isso a poligamia além de permitida é amplamente adotada.
Luna não é independente politicamente, sendo governada por um representante da Terra, chamado de Guardião (Warden).
A estória é narrada por Manuel Garcia “Mannie” O’Kelly-Davis, ou simplesmente Mané, um técnico de computadores que descobre que o computador central de Luna, HOLMES IV (“High-Optional, Logical, Multi-Evaluation Supervisor, Mark IV”) atingiu a auto-consciência e desenvolveu um gosto pelo senso de humor. Mané apelida o computador de Mike, uma alusão à Mycroft Holmes, irmão de Sherlock Holmes, e inicia-se uma forte amizade entre eles.
Mike vem sofrendo de solidão, pois considera todos os humanos que lidam com ele no dia a dia estúpidos, e imediatamente interessa-se por Manuel, classificando-o como não-estúpido. Como forma de lidar com a solidão Mike começou a empregar piadas de gosto duvidoso, como emitir cheques multi-milionários, pois controla toda Luna, inclusive o sistema financeiro.
No primeiro volume, Manuel, à pedido de Mike, vai até uma reunião anti-autoridade clandestina, onde este acaba conhecendo Wyoming “Wyoh” Knott, uma estonteante loira que agita a reunião. O antigo professor de Manuel, Professor Bernardo de la Paz, afirma que é necessário interromper toda a exportação de trigo hidropônico para a Terra, pois isso irá causar a exaustão do recurso mais escasso da Lua: a água.
Os eventos que se sucedem causam a união de Manuel, Bernardo e Wyoh como líderes de uma revolta que pretende libertar Luna da influência da Terra.
Mike revela-se um grande aliado, pois é capaz de proteger os membros da rebelião possibilitando a comunicação sigilosa deles, além outra ações que ajudam a causar desconforto e confusão ao Guardião e sua força policial.
Para proteger Luna de um ataque da Terra, eles constroem uma duplicata menor da catapulta eletromagnética que lança cargas de trigo para a Terra, para usá-la como arma de dissuasão.
A partir daí a revolta é inevitável, e o livro trata basicamente da luta pela independência da Lua.

Considerações sobre o livro
Heinlein é certamente um escritor cheio de paradoxos:

  1. É um visionário do libertarismo, com obras cultuadas como Um Estranho em Uma Terra Estranha, que foi eleito pelo movimento hippie como uma espécie de bíblia da contracultura;
  2. É um fascista, onde mostra uma sociedade militarizada em Tropas Estelares, com liberdades civis limitadas: a cidadania plena – com direito ao voto – só pode ser atingida após prestar o serviço militar;
  3. É um misoginista, e deixa isso bem evidente em Revolta na lua.

Em sua carreira, Heinlein buscou mostrar vários pontos de vista sobre religiões, governo e relações entre os gêneros, mas sempre mostrou pouca apreço por opiniões moderadas, sempre em nome de um pragmatismo exagerado.
O equilíbrio entre esse pragmatismo e o idealismo – ou a ilusão de que ambos podem coexistir – é o tema de Revolta na Lua. Trata-se de um livro sobre libertarismo, mas como Heinlein acaba definindo através de um dos heróis do livro, trata-se mais de “anarquismo racional”.
Os rebeldes partem para a revolução, contando com a ajuda de um supercomputador senciente – e pasmem senhores! O computador não torna-se maligno e não pretende exterminar a humanidade, fugindo completamente do clichê.
O supercomputador Mike conduz um plano perfeito, mas estranhamente as chances de sucesso que inicialmente eram de 1/7 caem até 1/100, num grande desafio lógico para a pobre mente do leitor.
A questão das piadas de Mike acabam sendo esquecidas no desenrolar da livro, numa clara falha no desenvolvimento feito por Heinlein. Uma pena, pois era um excelente gancho na estória.
No decorrer da trama Heinlein mostra porque é considerado por muitos um mestre do paradoxo ideológico, brincando com suas opiniões políticas para produzir um efeito dramático. Por exemplo, veja a contradição dos lunáticos que pretendem criar um estado pacifista através inicialmente de terrorismo e depois com ataques à Terra.
O misoginismo de Heinlein é evidente ao retratar uma sociedade poligâmica onde a mulher é valorizada pelo aspecto reprodutivo, mas acaba desempenhando papéis secundários na sociedade como cozinhar e cuidar da casa, e é tratada como objeto sexual sendo até esperado que ela rebole bastante e receba uma saraivada de assobios ao passar por homens.
De qualquer forma, é um excelente livro, e vale a pena a leitura nem que seja para criticar Heinlein por seus paradoxos e radicalismo.

 

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Tropas Estelares – Robert A. Heinlein

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Tropas Estelares (Starship Troopers) é um romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein em  1959 e vencedor do Prêmio Hugo de Melhor Romance em 1960.
Utilizando uma narrativa em primeira pessoa, o autor conta a aventura do soldado Johnny Rico, membro da infantaria móvel do exército. Após um ataque à Terra, que causa a destruição de Buenos Aires, a Terra parte para o ataque ao planeta dos seres que lembram aranhas.
O livro é listado como recomendado pela Força Aérea dos EUA, e quem lê percebe logo a razão disso. A estória exibe os ideais sobre os quais as forças armadas são baseadas: camaradagem, sacrifício, responsabilidade, distinção entre soldados e lutadores, entre ranques superiores e verdadeiros líderes.
Quem assistiu o filme de Paul Verhoeven primeiro pode achar o livro muito estranho, pois o ritmo, a mensagem passada e o nível de seriedade é completamente diferente, e pode levar o leitor a um pré-julgamento injusto com o livro.
Mas nem tudo é perfeito no livro de Robert A. Heinlein: o autor criou uma sociedade militarizada ao extremo, opressiva e sem ligação com as demais nações do planeta. A virtude dos cidadãos é medida pela dedicação militar, a cidadania plena só pode ser atingida (com direito à voto, por exemplo) após a prestação de serviço militar.
As questões científicas não são muito bem exploradas. As viagens espaciais não são explicadas muito bem, e o melhor que encontramos no livro é a descrição do traje de combate, uma espécie de exoesqueleto avançado cheio de recursos.
Muitos consideram essa postura muito fascista e por isso eu também classifico esse livro como apenas 4 estrelas.
De qualquer forma, é um grande livro, influenciou muito a literatura e o cinema do século XX: o filme Aliens o Resgate, por exemplo, usa termos como “bug hunt”, “the drop”, empilhadeiras exoesqueleto e os “Colonial Mariners” são tão fortemente inspirados no livro que os atores que os interpretaram foram obrigados a ler Tropas Estelares como preparação antes das filmagens.
O leitor pode achar exagerada a ênfase que o autor dá ao treinamento de Johnny, pois mais da metade do livro mostra apenas o treinamento, a outra metade suas relações com os oficiais e colegas, e resta muito pouco espaço para descrever os alienígenas, os combates e tecnologia empregada. Um excelente livro, mas não é perfeito.

Estrela Dupla – Robert A. Heinlein

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Estrela Dupla (Double Star, também traduzido no Brasil como A Estrela Oculta) é um romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein, publicado pela primeira vez na revista Astounding Science Fiction, em 1956, e vencedor do Prêmio Hugo de 1956 (o primeiro de Heinlein). A confusão com o nome vem da tradução incorreta para o português, o mais correto seria Estrela Dublê, parece que o tradutor e o editor brasileiro escolheram o título sem ler o livro!
A estória é narrada em primeira pessoa por um ator decadente e canastrão, Lawrence Smith, que gosta da alcunha “O Grande Lorenzo”. O narrador se define como um ator brilhante e não reconhecido.
Ele está praticamente falido quando uma série de eventos o leva a ter que personificar o mais importante político do sistema solar: John Joseph Bonforte. Bonforte é o líder da coalizão expansionista, e provavelmente o vencedor da próxima eleição geral.
Oponentes o sequestram em um momento crítico em que ele deveria participar de um ritual em marte em que os marcianos (estranhos seres alienígenas que reproduzem-se por divisão) o aceitariam, o que poderia evitar uma guerra e extermínio em massa de marcianos ou humanos em marte.
Lawrence Smith é contratado para personificar o político, e após o ritual eventos o obrigam a continuar no papel até a eleição.
Trata-se de uma obra simples, apenas uma história de intrigas, conspirações e situações, num cenário de ficção científica fraco e desapontador.
A única coisa que considerei boa nesse livro foi o bom humor e os comentários irônicos do Grande Lourenço.

O Dia Depois de Amanhã – Robert A. Heinlein

Robert A Heinlein_Sixth Column_BEAN_John MeloO Dia Depois de Amanhã (Sixth Column, também conhecido como The Day After Tomorrow) é um romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein, baseado em uma estória do editor e escritor John W. Campbell. Campbell inicialmente  tinha imaginado a estória de Sixth Column, com o título de All, mas ele relutou em publicar pois gostaria de remover os aspectos racistas da linha original da estória, e por considerar que ela não seria aceita artisticamente. Então Heinlein aceitou o desafio e reescreveu a estória, tentando melhorar os aspectos racistas e falta de explicação científica para a arma desenvolvida na instalação militar secreta.
Especula-se que o personagem Calhoun, que rivaliza com Ardmore no comando, e acaba enlouquecendo acreditando na falsa religião criada por eles, é na verdade uma paródia que Heinlein faz de Campbell.
Foi publicada inicialmente na forma de uma série na revista Astounding Science Fiction (Janeiro, Fevereiro e Março de 1941).
Encontrei apenas uma tradução em português de Portugal, de Maria Luísa Gonçalves dos Santos, o que é uma pena pois não gosto dos vocábulos usados por eles, principalmente em traduções mais antigas.

Introdução ao roteiro (com leves spoilers)

A estória acontece em um Estados Unidos que acabou sendo conquistado pelos Pan-asiáticos, uma combinação de exércitos japoneses e chineses.
Uma instalação militar ultrassecreta, escondida nas montanhas do Colorado é o último posto militar do Exército dos EUA, depois de uma derrota para os Pan-asiáticos.
Os Pan-asiáticos inicialmente tinham enfrentado os Soviéticos, e após derrotá-los partiram inicialmente para a conquista da Índia.
Quando iniciaram a conquista da América eles foram cruéis e impiedosos, por exemplo, após uma rebelião de forças de resistência eles mataram 150.000 civis americanos apenas como penitência.
A única coisa que os invasores permitem é a prática livre de religiões, pois consideram uma ferramenta útil para acalmar os escravos.
O laboratório militar secreto no começo da estória está enfrentando sérios problemas, pois todos, exceto seis sobreviventes, morreram subitamente devido a alguma experiência realizada com uma nova teoria magneto-gravítica ou eletro-gravítica.
Os sobreviventes descobrem que podem matar pessoas de forma seletiva, e que podem configurá-la para matar apenas pessoas com as características genéticas dos asiáticos.
Outra características da tecnologia envolvem a geração de campos de força, controle de gravidade e até transmutação de elementos. Outros efeitos é a capacidade de matar apenas bactérias ou vírus específicos, sendo que um pesquisador infecta-se com Antraz apenas para provar que a terapia funciona.
Aproveitando-se da certa liberdade religiosa oferecida pelos escravizadores, eles iniciam uma nova religião, onde os sacerdotes utilizam um cetro com um transmissor capaz de realizar curas, gerar campos de força pessoais e, é claro, matar asiáticos.

Considerações sobre o livro

É evidente o motivo que levou Campbell à abandonar o projeto de All, e passar a tarefa para Heinlein. Mesmo que este tenha tentado diminuir os problemas de racismo e a falta de realismo científico, ele não foi bem sucedido, sendo que apesar da estória ser interessante, ela pode ser difícil de ser tolerada.
A forma como os asiáticos são tratados, causa estranheza ao leitor, e os critérios genéticos utilizados não são fáceis de se engolir.
Os americanos do livro respondem ao racismo dos conquistadores utilizando termos pejorativos como flat face “cara achatada”, macacos amarelos ou slanty (termo pejorativo relacionado ao olhos dos asiático).
Cabe aqui lembrar que o livro foi escrito no mesmo ano do ataque à Pearl Harbor pelos japoneses, então os ânimos estavam inflamados nos EUA.
É um bom livro, retrato de uma época conturbada, que deve ser lido considerando o momento em que foi escrito e desconsiderando as falhas e exageros nas questões científicas.

A Desagradável Profissão de Jonathan Hoag – Robert A. Heinlein

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A Desagradável Profissão de Jonathan Hoag (The Unpleasant Profession of Jonathan Hoag) é uma estória escrita por Robert A. Heinlein em 1942, e publicada pela primeira vez na revista Unknown Worlds sob o pseudônimo de John Riverside.
Essa estória foi a última contribuição de Robert A. Heinlein à chamada Golden Age da ficção, antes de interromper seu trabalho devido à segunda guerra mundial.
Um filme de Alex Proyas (de Cidade das Sombras, O Corvo e Eu,Robô) está atualmente sendo desenvolvido, mas ainda sem data prevista para lançamento.
Se você acompanha este site, então sabe que já critiquei Robert A. Heinlein anteriormente, e até considerei Um estranho em Uma Terra Estranha um livro superestimado, mas agora dou meu braço a torcer. Ele realmente foi um escritor genial, e esse livro é mais uma prova disso.

Tradução para o português

O maior mistério de The Unpleasant Profession of Jonathan Hoag é tentar entender por que essa estória nunca foi traduzida para o português. Falta de interesse dos editores? Ausência de público no Brasil?

Introdução ao roteiro (sem spoilers)

Jonathan Hoag, um cidadão de Chicago, apreciador de arte e jantares refinados, subitamente se dá conta de que não tem lembrança alguma de suas atividades durante o dia. Ao lavar as mãos ele descobre uma estranha sujeira sobre suas unhas, que suspeita ser sangue. Preocupado por estar envolvido em alguma atividade nefasta, ele procura um casal de detetives, Teddy e Cynthia Randall, para ajudá-lo a descobrir suas atividades, seguindo-o durante o dia. Ted e Cynthia  encontram-se imediatamente atirados em grandes mistérios: As memórias sobre sua profissão são falsas, ele não deixa impressões digitais, e ainda mais estranho: as próprias lembranças dos investigadores do que acontece durante a investigação parece não combinar. Um prédio de trinta andares que não existe, seres misteriosos e ameaçadores vivendo dentro de espelhos, e a realidade não sendo o que parece.
Parte estória sobrenatural, parte estória de detetives noir, Heinlein nos guia para o fundo do buraco do coelho, levando o leitor para o inesperado e surpreendente!

Link para download em PDFMOBI ou EPUB. (Proibida a comercialização)

Um Estranho Numa Terra Estranha – Robert A. Heinlein

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Um Estranho Numa Terra Estranha é um dos livros de ficção científica mais famosos, escrito por Robert A. Heinlein e publicado pela primeira vez em 1961.
Ele conta a história de Valentine Michael Smith, um humano que vem para a Terra após ter nascido em Marte e ter sido criado por marcianos.
O autor inspirou-se na ideia de O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, onde um humano é criado por marcianos, no lugar de lobos.
O livro tornou-se um sucesso absoluto, e algumas cenas polêmicas apenas aumentaram as vendas dele, elevando-o ao status de livro cult da contracultura dos fins da década de 60, que adotou os temas de liberdade, auto-responsabilidade, liberdade sexual e adoção de religião organizada na cultura e governo, utilizando livro como uma espécie de manifesto.

Considerações sobre o livro

Apesar de ser considerado um ícone da ficção científica, não gostei nem um pouco de Um Estranho Numa Terra Estranha.
Smith sem dúvida é estranho, um humano com habilidades psíquicas e super inteligência, mas ao mesmo tempo é tão ingênuo e infantil que chega a irritar.
O foco na religião também desaponta quem espera um pouco mais de aventura ou tecnologia, e na verdade Smith pode ser considerado uma espécie de anjo messiânico, que insiste no amor irrestrito até por quem demonstra apenas ódio à ele quando está sendo apedrejado, mutilado ou queimado.
O autor criou um vocábulo novo, e apenas um, para os marcianos: Grokar, que significa uma forma intuitiva de compreender algo, de forma mais elevada, além da empatia ou da intimidade. E ele repete esse verbo insistentemente, como se a única coisa importante na cultura marciana fosse isso, de forma irritante, no livro inteiro. Achei totalmente desnecessário e estúpido o conceito de ‘grokar‘ algo.
Enfim, pode ser que eu tenha detestado tanto o livro porque li uma versão em português de Portugal, e odeio as expressões e o vocabulário que eles usam. Tenho que consultar o dicionário mais vezes quando leio em português de Portugal do que quando leio em inglês.
Não recomendo para ninguém que espere algo além de analogias com religiões, anjos e messias. O pano de fundo marciano serve apenas para despistar e criar falsas expectativas. Vejam só! Odiei uma das maiores obras da ficção científica do século XX!