O Carteiro – David Brin

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Ficha Técnica do Livro

  1. Título: O Carteiro (The Postman)
  2. Nome do autor: David Brin
  3. Tradutor: Fábio Fernandes
  4. Data e local de publicação: Internet, 2014;
  5. Número de páginas: 253 páginas;
  6. Gênero: Ficção Científica;
  7. Sub-Gênero: Ficção Pós-apocalíptica;
  8. Nota: ★★★ (3)

    O Carteiro (The Postman) é um romance de ficção científica pós-apocalíptica escrito por David Brin em duas partes: “O Carteiro” em 1982 e ¨Cyclops” em 1984. Posteriormente o livro foi publicado na sua forma completa, tendo sido indicado aos prêmios Hugo e Nebula, e recebeu os prêmios John W. Campbell e o Locus, em 1986. No Brasil o livro foi publicado apenas em duas partes, pela saudosa Isaac Asimov Magazine, a primeira no nº21 e a segunda no nº 23.
No link abaixo você encontrará a edição brasileira na íntegra, apenas foi feita a correção para a nova ortografia e a edição para epub, mobi e PDF.
A tradução não é minha, mas coloquei na categoria Minhas Traduções apenas facilitar a localização.

O Carteiro – David Brin (PDF)
  O Carteiro – David Brin (MOBI)
 O Carteiro – David Brin (EPUB)

   A maioria das pessoas deve conhecer essa história apenas através do péssimo filme com o Kevin Costner. No Brasil o título foi traduzido erroneamente como O Mensageiro. O filme é uma bomba, como quase tudo que Kevin Costner já fez na vida, mas felizmente eu tinha lido o livro na revista Isaac Asimov Magazine antes de assistir ao filme, e sabia que a história era muito mais do que aquilo que foi mostrado. O filme é sem sentido e simplesmente estúpido, Costner apenas tenta imitar Mad Max. Ele é baseado apenas nas primeiras 40 ou 50 páginas do livro. Caso você já tenha perdido tempo assistindo o filme espero que tenha sido há bastante tempo e espero que já tenha esquecido de boa parte dele, para ter um começo limpo nessa história.
O Carteiro é um livro no clássico sub-gênero pós apocalíptico. O mundo enfrentou uma guerra mundial, cujos detalhes (e até mesmo os oponentes dos EUA) são deixados de lado pelo autor. O uso maciço de armas nucleares, armas biológicas e o inverno nuclear destruiu completamente a civilização. O protagonista do livro, Gordon, era um miliciano em Minnesota, que tentava proteger alguns sobreviventes locais até que todos seus companheiros morreram e ele fugiu para o oeste. O livro começa quando Gordon está sendo roubado por uma gangue e sobrevive ao descobrir um carro postal abandonado e o corpo de um carteiro que morreu há muito tempo. Isso acaba salvando sua vida, pois ele tinha sido roubado e morreria de frio se não vestisse o casaco do carteiro. Ele acaba pegando a sacola de cartas do carteiro, sem pensar muito sobre isso. Quando ele chega à Pine View os habitantes locais reagem de forma inesperada e emocionada com a visão do uniforme, e ele acaba vendo-se tentado a encarnar o papel de carteiro.
Gordon acaba fazendo uso dessa mentira para conseguir respeito, atenção, abrigo e alimento. Ele mente dizendo que representa o governo dos Estados Unidos Restaurados, e as pessoas estão tão desesperadas para acreditar em algo que aceitam facilmente suas mentiras. Gordon se reconhece como uma fraude, e fica tentado a desistir da farsa, mas acaba rapidamente preso no papel. O autor mostra Gordon como um personagem amargurado e oportunista, no entanto ele possui uma moralidade inata esperando para mostrar-se.
O livro questiona o significado de heroísmo e liderança, e como alguém nessa situação pode acabar sendo dominado por um papel se desempenhá-lo muito bem ou por muito tempo.
Mas esse livro tem alguns problemas muito sérios. Na primeira metade, que é basicamente um livro de aventura e exploração de um ambiente pós-apocalíptico, existe uma certa estranheza na dinâmica da narrativa, uma impressão de que o autor está enfiando a narrativa goela abaixo do leitor ao invés de conduzi-la suavemente. Mas o pior acontece na segunda parte, quando Gordon irá enfrentar os sobrivencialistas: o livro sai completamente dos trilhos!
David Brin mostra uma reversão do status das mulheres à um padrão quase feudal, como se os direitos femininos fossem uma espécie de produto da civilização moderna. Quando Gordon chega à uma cidade onde existe uma espécie de nova onda de feminismo surgindo, Brin introduz algumas ideias bizarras sobre a necessidade das mulheres em controlar a violência dos homens, e sobre uma espécie de dicotomia no comportamento masculino entre o heroico e o vil, e faz um claro paralelo com a comédia antiguerra Lisístrata escrita por Aristófanes em 411 A.C.. Nessa comédia as mulheres de Atenas fazem uma greve de sexo e conseguem assim fazer com que seus maridos desistam da luta e busquem a paz. Esse paralelo com Lisístrata está até na dedicatória do livro. Próximo do fim do livro tudo se resume à uma briga cheia de testosterona no estilo saloon de filmes de faroeste. David Brin fica preso à esse modelo binário de gêneros, indo da condescendência sincera em tentar reconhecer a força das mulheres à simplificação na descrição do comportamento masculino, agressivo e superficial.
Para piorar tudo, David Brin simplesmente puxa o tapete debaixo dos pés do mundo que ele criou. O tema principal de O Carteiro até próximo do fim é a substituição da ênfase na tecnologia pelo aumento da importância das pessoas, e a necessidade de cooperação entre elas. Em um trecho bem conduzido Brin consegue mostrar as possibilidades de se utilizar a tecnologia como ferramenta para a salvação, e esse tema encaixa perfeitamente com a natureza heróica de Gordon. Mas logo depois o autor introduz vilões caricatos, típicos de revistas em quadrinhos, tudo descamba para a simples violência e acaba desviando o foco para as partes ruins do livro.
Sem dúvida alguma o livro é melhor que o filme, mas isso não quer dizer muita coisa. O livro começa devagar, mas o meio dele é até melhor do que poderíamos esperar. Mas o embaraçoso sub-enredo envolvendo o feminismo e o colapso do mundo que ele criou deixou um gosto amargo na boca do leitor.
Apesar de tudo é um livro que recomendo a leitura, e apesar dos problemas que possui é um livro pós-apocalíptico regular. Se você está procurando um livro pós-apocalíptico melhor experimente ler Um Cântico para Leibowitz (veja minha análise).

All You Need Is Kill – Hiroshi Sakurazaka

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“That’s the thing with books. Half the time the author doesn’t know what the hell he’s writing about – especially not those war novelists.” (Hiroshi Sakurazaka, All You Need Is Kill)

All You Need is Kill é um romance japonês de ficção científica militar de Hiroshi Sakurazaka, que inspirou o filme No Limite do Amanhã, com Tom Cruise e Emily Blunt.

Introdução ao roteiro

A estória é contada sob a perspectiva de Keiji Kiriya, um recruta novato da UDF (Força de Defesa Unida) que alistou-se para lutar contra os misteriosos ‘Mimics’ que ameaçam a vida na Terra. Keiji morre logo no primeiro combate, mas através de um fenômeno aparentemente inexplicável ele acorda na manhã do dia anterior à batalha. Isso continua se repetindo e ele descobre que está preso a algum tipo de loop temporal, e passa a acreditar que a única forma de escapar desse loop é desenvolver suas habilidades de combate, e derrotar os Mimics.
Podemos dizer que o autor fez um encontro entre a famosa comédia de Bill Murray, O Feitiço do Tempo (Groundhog Day) com o videogame Halo. O resultado foi bem interessante, e apesar da linguagem muito juvenil, os personagens foram bem construídos, o background tecnológico é muito interessante, e a origem dos Mimics é bem trabalhada, mas, como toda ficção envolvendo viagens no tempo, apresenta alguns paradoxos que podem confundir o leitor.
Os soldados usam uma espécie de exoesqueleto (Jacket) que lembra bastante o descrito por Heinlein em Tropas Estelares (veja minha resenha). As similaridades com esse famoso livro de Heinlein não terminam por aí, pois assim como neste clássico da ficção científica, a estória é contada sob o ponto de vista de um recruta em meio a uma guerra brutal contra alienígenas.
A tradução do livro não foi uma tarefa muito complexa, devido a linguagem simples utilizada, mas foi um tanto trabalhoso pois o livro não é tão pequeno assim (são quase 60000 palavras)
O livro ganhou certa projeção internacional, pois inspirou o mais recente filme de Tom Cruise, Edge of Tomorrow (No Limite do Amanhã), que conta com a participação da excelente atriz Emily Blunt. O filme vem sendo muito bem avaliado (nota 8,1 no IMDB), mas existem diferenças gigantescas entre os dois trabalhos.
O livro não é genial, a linguagem não é das melhores, mas é muito divertido e fácil de ler. Afinal, quem não gosta de uma estória que mistura aliens, mechs, guerra e viagem no tempo?

Link para download em PDF (Proibida a comercialização):All You Need is Kill

Agentes do Destino – Philip K. Dick

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Agentes do Destino (Adjustment Team) é um conto de Philip K. Dick publicado pela primeira vez na revista Orbit Science Fiction (Setembro-Outubro 1954, nº4).
O conto foi adaptado de forma muito competente para o cinema em 2011, no filme Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau), de George Nolfi, com os excelente atores Matt Damon e Emily Blunt.
A ideia do filme é a mesma do trabalho de Philip K. Dick, mas o diretor conseguiu elaborar bastante a história, colocando novos elementos que enriqueceram nobremente o trabalho imaginativo do escritor.

Introdução ao Roteiro (do conto, com leves spoilers)

Eddie Fletcher é um típico trabalhador de classe média dos anos 50, casado e com um emprego comum e desinteressante. Durante o café da manhã, enquanto ele e sua esposa preparam-se para mais um dia de trabalho, somos apresentados a dois personagens estranhos: O Secretário e o Convocador. Eles cometem um erro que acaba revelando à Ed que a realidade não é exatamente o que ele acreditava, e conduzindo-o quase ao fim de seu casamento e da sua sanidade mental.

Considerações sobre o conto (e sobre o filme!)

Philip K. Dick escreve sobre um dos seus temas preferidos: Realidades Adaptadas, que compreendem os seguintes livros e contos.

  • «We can Remember it for You Wholesale» (BR: «Podemos Recordar para Você, por um Preço Razoável»)
  • «Second Variety» (BR: A Segunda Variedade)
  • «Impostor» (BR: O Impostor)
  • «The Minority Report» (BR: Minority Report – A Nova Lei)
  • «Paycheck» (BR: O Pagamento)
  • «The Golden Man» (BR: O Homem Dourado)
  • «Adjustment Team» (BR: Agentes do Destino)

Em Agentes do Destino o autor consegue manter uma narrativa dinâmica, cheia de bom humor, ironia e suspense. Ele não explica muito bem quem são os Agentes que interferem na realidade, mas seus objetivos ficam bem claros. O final é brilhante e muito feliz, deixando um sorriso no rosto do leitor e um gostinho de quero mais!
Já o filme partiu dessa excelente obra e acrescentou alguns elementos geniais, como a forma com que os agentes viajam usando portas comuns, mas que para quem faz uso do chapéu dos agentes permite viajar instantaneamente de um lugar à outro. A cena do personagem de Matt Damon correndo na chuva (que interfere no poder de localização dos agentes) é outro ponto forte do filme, muito divertida! Veja aqui a cena no Youtube.
As alterações deixaram a história mais emocionante e com bastante romantismo, pois agora o personagem principal luta pelo seu amor, além da sua sanidade mental!
Normalmente costumo dizer que o livro sempre é melhor que o filme, mas nesse caso são obras complementares excelentes e só tenho elogios para elas.
Recomendo tanto o livro quanto o filme!

Link para download em PDF (Proibida a comercialização): Agentes do Destino
Link para download em MOBI (Proibida a comercialização): Agentes do Destino