Os Próprios Deuses – Isaac Asimov

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 Os Próprios Deuses (The Gods Themselves), publicado anteriormente no Brasil como O Despertar dos Deuses, é um romance do mestre da ficção científica Isaac Asimov, publicado pela primeira vez em 1972. Recebeu o Prêmio de Melhor Romance Nebula em 1972,  e os Prêmios Hugo e Locus de 1973.
Decidi reler o livro nesta nova edição da Editora Aleph, já que estou lendo os vencedores do Prêmio Hugo, e como li pela primeira vez ha mais de dez anos, poderia agora ver o livro com outros olhos.

O livro é dividido em três partes:

  1. Contra a estupidez…
    A estória começa com um estranho acontecimento: o radioquímico Frederick Hallam descobre que uma amostra que tinha de Tungstênio-186 sobre sua mesa foi misteriosamente trocada por outra de Plutônio-186. Mais estranho que essa troca é o fato de que o Plutônio-186 não é um elemento estável, portanto não poderia existir livre na natureza. Algum tempo depois o Plutônio começa a ficar instável e a emitir radiação.
    Hallam cria então a teoria de que esse elemento teria vindo de outro universo, onde as leis da física seriam diferentes, portanto o Plutônio-186 seria um elemento estável. O elemento apenas permaneceria algum tempo estável porque junto com elemento uma parte das leis desse outro universo viriam junto com o elemento, mas com o tempo o nosso universo faria valer nossas leis e então o Plutônio-186 se desestabilizaria.
    Experiências de troca são conduzidas onde outras amostras de tungstênio são trocadas por plutônio, e posteriormente os cientistas recebem placas onde os seres desse outro universo (chamado então de para-universo) fornecem instruções para a criação de uma máquina que faria a troca de elementos e geraria energia praticamente infinita, entre os dois universos.
    No entanto, o Dr. Peter Lamont, um rival de Hallam, acredita que a Bomba de Elétrons, como foi chamada a máquina, acabaria por alterar a força nuclear forte na vizinhança do sistema solar, devido a troca de “leis” entre os universos, com drásticas consequências no nosso universo.
  2. … Os próprios deuses…
    É praticamente outro livro, muito mais fantástico, onde Isaac Asimov mostra sua genialidade ao descrever um universo muito diferente, fugindo da armadilha antropomórfica que muitos autores costumam cair.
    Ele divide os seres desse mundo em “Suaves” e os “Duros”.
    Os suaves são seres mais simples, capazes de modificar suas formas, penetrar rochas e outros meios, e o mais interessante: capazes de uma estranha união em tríades onde cada parte possui uma personalidade bem definida (emocionais, parentais e racionais).
    Já os Duros são a elite dessa sociedade, com corpos mais sólidos e inteligência avançadíssima.
    Essa parte do livro conta a estória de Dua, uma Emocional que forma uma tríade com Odeen (racional) e Tritt (parental), e a relação desses seres com a criação da Bomba Eletrônica.
  3. … Disputam em vão?
    A terceira parte do livro retorna ao nosso universo, agora na perspectiva do Dr. Benjamin Allan Denison, um ex-colega de Hallam, e que foi ridicularizado por este na época da descoberta do Plutônio-186. Denison vai até a Lua, onde procura na colônia uma chance de recomeço para  a sua carreira que foi destruída por Hallan. Aqui Asimov mais uma vez mostra do que é capaz, criando um ambiente muito interessante e factível, e produz um desfecho muito interessante para a estória.

Os Próprios Deuses é um dos melhores livros de Asimov, sendo definido pelo autor como o livro favorito que ele escreveu.
Uma crítica recorrente que Asimov enfrentava era nunca escrever sobre aliens ou sexo. Neste livro ele resolveu rebater as críticas e mostrou nada menos que sexo alienígena.
Na verdade a maior parte da segunda parte do livro é sobre os mecanismos sexuais dessas estranhas criaturas de outro universo, enquanto a primeira e terceira parte é basicamente ficção científica hard. Considero hard, pois Asimov descreve muita ciência, de forma precisa e honesta, apesar de partir de alguns pressupostos fantasiosos.
Sem dúvida é um dos melhores livros de Asimov, e um dos melhores livros de ficção científica já escritos.

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6 comentários sobre “Os Próprios Deuses – Isaac Asimov

  1. Gosto muito deste livro de Asimov por conta dele ir além da realidade, até um ponto por vezes inimaginável. É difícil e interessante ter de desprender do universo que conhecemos para tentar compreender o que Asimov escreve. Outro ponto que acho interessante do livro é que sinto-o como uma Ficção Científica pura, já que o autor explica profundamente e com termos químicos e físicos o porque de cada ocorrido.

    • Concordo com você Bruno! Além disso como Asimov não tinha o costume de escrever sobre aliens muitos ficam surpresos com esse livro pois os aliens que ele descreveu são genuinamente alienígenas, não só no aspecto físico como no psicológico e cultural. Asimov mais uma vez dá uma aula de boa literatura de ficção científica.

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  4. Devo ter lido este livro à mais de 30 anos (na sua versão da Argonauta) e ainda hoje me lembro quase perfeitamente da história, sobretudo, da parte dos alienigenas. Livro fantástico e que deveria ser lido por qualquer amante de Bons Livros 🙂

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