A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak

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A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak conta a estória de Liesel Meminger, uma órfã alemã em meio à segunda guerra mundial.
O livro está na fronteira entre a literatura adulta e a ficção infanto-juvenil, e é uma celebração do poder da linguagem. Ele pode ser um ótimo encorajamento para jovens tomarem gosto pela leitura.
Mas como uma história narrada pela Morte pode ser indicada para a leitura de jovens? Isso mesmo, a narradora do livro é a Morte!
Fácil: Porque a narradora, apesar de tão temida, mostra muita compaixão com o sofrimento humano.

“Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: “apronte logo isso, apronte logo isso.” E aí a gente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais.”

Assim, Markus Zusak quer nos dizer: “Estão vendo? Até a Morte tem coração!”
A inocência juvenil da protagonista fornece um toque de sensibilidade muito forte na história, que está cheia de metáforas, como os dominós derrubados por Rudy, que correspondem a corpos caindo.
O significado dos furtos dos livros também é evidente: a garota teve sua mãe, seu pai e seu irmão roubados de sua vida, ela sente como se sua história tivesse sido roubada, então ela rouba os livros para ajustar as contas.
O primeiro livro roubado foi “O Manual do Coveiro”, com o subtitulo “Um guia em doze passos para sucesso na carreira de coveiro”, que ela roubou do cemitério onde seu irmão foi enterrado.
Ironicamente, o livro maldito do Führer, “Mein Kampf” tem uma importância enorme na estória, e acaba tornando-se um dos livros mais importantes de sua vida.
Os comentários da Morte, são algumas vezes irônicos:

“Esqueça a foice, diabos, eu precisava era de uma vassoura ou um rodo.” ou então: “Para a roubadora de livros, tudo estava indo bem,” A Morte observa,  enquanto os campos de extermínio floresciam no verão de 1942. “Para mim, o céu tinha as cores dos Judeus.”.

Acredito que faltam mais momentos como esses comentários da Morte no livro de Markus Zusak, mas mesmo assim essa narradora inusitada enriquece muito o livro.
Certamente, A Menina que Roubava Livros tem vários momentos capazes de arrancar lágrimas dos leitores, como o livro que Max (o judeu que morava no porão) escreve para Liesel, e outros momentos que não conto para não estragar a surpresa.
Um livro para ler e se emocionar, recomendo!

 

O Continente Vol 1 (Saga O Tempo e o Vento) – Érico Veríssimo

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O Tempo e o Vento  é uma série literária do escritor brasileiro Érico Veríssimo. Dividido em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961), num total de sete volumes, o romance conta uma parte da história da região do atual estado Rio Grande do Sul – da ocupação do “Continente de São Pedro” (1745) até 1945 (fim do Estado Novo), através da saga das famílias Terra e Cambará. É considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do Brasil.
Confesso que nunca tinha lido essa obra, e só depois de assistir a recente adaptação da rede globo me animei a começar a leitura.
Cabe aqui um elogio à essa última adaptação, ela tem poucas alterações, e praticamente todas as cenas estão no livro.
Uma excelente leitura, retratando uma parte da história praticamente desconhecida pela imensa maioria dos brasileiros

Introdução ao roteiro de O Continente Volume 1

A primeira parte de O Tempo e o Vento narra a formação do Estado do Rio Grande do Sul através das famílias Terra, Cambará, Caré e Amaral. A estória inicia-se com a chegada de uma índia grávida na colônia dos jesuítas e índios nas Missões. Esta mulher dará à luz o índio Pedro Missioneiro, que depois de presenciar as lutas de Sepé Tiaraju através de visões e ver os portugueses e espanhóis dizimarem as Missões Jesuíticas, conhecerá Ana Terra, filha dos paulistas de Sorocaba Henriqueta e Maneco Terra, este filho de um tropeiro (Juca Terra) que ficou encantado com o Rio Grande de São Pedro ao atravessá-lo para comerciar mulas na Colônia do Sacramento e que obtém uma sesmaria na região do Rio Pardo.

Ana Terra terá um filho com o índio, chamado Pedro Terra. Logo que seu pai descobre sobre a gravidez, ele manda os irmãos de Ana matarem Pedro Missioneiro. Quando castelhanos invadem a fazenda da família Terra, matam pai e irmãos da moça e a violentam, mas ela conseguira esconder o filho, a cunhada e a sobrinha. Partem para Santa Fé, onde se passará o resto da ação de O Tempo e o Vento. Lá Pedro Terra cresce e tem uma filha, Bibiana Terra, que se apaixonará por um forasteiro, o capitão Rodrigo Cambará. Ana Terra e o capitão Rodrigo são até hoje considerados dois arquétipos da literatura brasileira.

Os sete capítulos de O continente (A Fonte, Ana Terra, Um Certo Capitão Rodrigo, A Teiniaguá, A Guerra, Ismália Caré e O Sobrado) podem ser lidos de diversas formas. Uma delas é a história da formação da elite rio-grandense, que culminará na Revolução Federalista de 1893/95. As lutas pela terra, as guerras internas (Farroupilha, Federalista) e externas (Guerra do Paraguai, Guerra contra Rosas) marcam definitivamente a vida e a personalidade daqueles gaúchos e ecoam de forma muito forte ainda hoje na identidade do Rio Grande do Sul.

Do ponto de vista histórico-literário, O Tempo e o Vento é um símbolo da literatura regionalista – expressão cultural do povo gaúcho. Inserido no chamado Romance de 30, obras de cunho neo-realista que aliam a descrição denunciante do Realismo às investigações psicológicas das personagens e liberdades lingüísticas do narrador, frutos do Modernismo. Assim como O continente, muitas dessas obras são de cunho regionalista, a exemplo de O Quinze (Raquel de Queiroz), Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa) e Vidas Secas (Graciliano Ramos) .

Os dois volumes de O continente são os mais lidos e conhecidos da trilogia. Parte de seu conteúdo teve adaptações para o cinema e a televisão: em 1985, a TV Globo adaptou “O Continente” para a tela cuja produção recebeu o título da trilogia, “O Tempo e o Vento” – o sucesso do personagem Capitão Rodrigo levou a Editora Globo a publicar em separado o capítulo da obra a ele dedicado, Um certo Capitão Rodrigo.

 

O Rei do Inverno – Bernard Cornwell

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O Rei do Inverno é o primeiro livro da trilogia de Bernard Cornwell sobre um obscuro período da história britânica, que ficou conhecido como Idade das Trevas, por volta do século V. A escassez de registros históricos da época é tão grave que nunca comprovou-se a existência de Artur, apesar de existirem indícios de que ele existiu.
Bernard Cornwell utiliza o fundo histórico conhecido da época: uma Grã-Bretanha na qual ainda estão presentes as cidades, as estradas, as habitações, um sistema de leis, e maneiras de ser romanas, mas ao mesmo tempo uma Grã-Bretanha sendo destruída por invasões e conflitos internos. Os Romanos deixaram um legado de leis, erudição e tecnologia, mas massacraram as tradições nativas, como o Druidismo. A existência de Merlim é improvável, mas o personagem é tão ligado à lenda de Artur que o autor sabiamente manteve-o no livro.
Abaixo um mapa da região onde pode-se ver a região de Dumnônia, e os reinos vizinhos.

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A história é contada pelo guerreiro Derfel, que testemunhou os acontecimentos e na sua velhice, já um monge, resolve contar o que viveu.
Um romance escrito por alguém que é apaixonado pela história inglesa, O Rei do Inverno é sem dúvida alguma a melhor adaptação da lenda de Artur. O autor manteve-se fiel a elementos enraizados da lenda, como Lancelot, Galaad, Merlim e Morgana, ninguém ficará decepcionado ao ler sua versão.

Crônicas Saxônicas – Os Senhores do Norte (Vol 3)

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A história de Os Senhores do Norte se inicia cerca de um mês após a impressionante vitória de Alfredo sobre os dinamarqueses em Ethandum, fato histórico que foi romanceado com maestria por Cornwell em O Cavaleiro da Morte.
Enquanto Wessex vive a paz com os dinamarqueses liderados por Guthrum, que foi reconhecido pelos saxões como rei da Ânglia Oriental, Uhtred volta para a Nortúmbria onde deixou assuntos inacabados: sua rixa de sangue com Kjartan,  e com seu tio que usurpou Bebbanburg.
É um fato histórico que Guthrum realmente manteve a paz com Alfredo, e parece que sua conversão ao cristianismo foi genuina. Foi feito um tratado de paz, o tratado de Wedmore, que dividiu a Inglaterra em duas esferas de influência: Wessex e o sul da Mércia ficaram com os saxões e o norte da Mércia e a Nortúmbria ficaram sob a lei dinamarquesa, que foi governada por reis dinamarqueses por um bom tempo.
Mas Guthrum não era muito influente com todos os dinamarqueses, muito menos com os nórdicos que voltaram a atacar Wessex.
A história da Nortúmbria é ben mais confusa, os registros régios são conflitantes, mas parece que realmente existiu um rei Guthred que ocupou o trono de York (na época conhecida como Eoferwic), governando até a década de 890. Existem registros que indicam que Guthred era cristão, mesmo sendo dinamarquês, e existe uma história que diz que ele foi um escravo, o que foi explorado pelo autor na sua narrativa.
Realmente existiu um abade Eadred, guardião do cadáver de São Cuthbert.
Os personagens Kjartan, Ragnar e Gisela são fictícios, mas existiu um Earl Ivarr, e seus sucessores aterrorizaram o norte por muito tempo.
Em Durham, palco das melhores páginas deste livro, não existe indícios hoje de que existiu tal fortificação como descrita no livro,  pois depois foi construída uma catedral no local.
Quanto a Bebbanburg, existiu uma fortaleza no local, e ela foi dominada pela família Uhtred, que é ancestral de Bernard Cornwell, mas não existe registro da família entre os séculos IX e início do X.
Cornwell construiu uma história muito interessante, e o mais importante: bastante fiel aos fatos históricos.
Recomendo a leitura de todos os livros da série Crônicas Saxônicas.

Os Crimes do Mosaico – Giulio Leoni

 

Dante Alighieri como um investigador criminal medieval!? Parece estranho, mas Giulio Leoni consegue dar alguma plausabilidade ao romance “Os crimes do Mosaico” sendo fiel ao que se sabe da vida de Dante que também é conhecido como “Il Sommo Poeta” (O Poeta Supremo), ou como “Pai da Língua Italiana”.
A vida de Dante Alighieri não é muito bem conhecida, o pouco do que se sabe pode ser extraída de trechos de A Divina Comédia: Sabe-se que ele tinha por volta de 35 anos aos escrever sua obra prima, e que sua descida imaginária ao inferno foi feita em 1300. A história de “Os Crimes do Mosaico” inicia-se nesse importante ano, e influencia a criação da obra que imortalizou Dante.
No livro Dante é retratado como um boticário, o que corresponde ao que se sabe de sua vida: Em sua época para ter alguma importância na vida pública era necessário fazer parte de algum guilda de artesãos ou comerciantes, então Dante entrou no guilda dos médicos e apotecários.
É sabido que Dante foi Prior de Florença, mas devido muitas das minutas das reuniões do conselho da cidade da época terem se perdido durante a segunda guerra mundial, a extensão da participação de Dante nessas reuniões é incerta.
Um grande mistério, com assassinatos chocantes e um final supreendente e empolgante: Considero “Os Crimes do Mosaico” um livro que vale muito a pena ler, Giulio Leoni consegue prender a atenção do leitor da primeira a última linha! Muito melhor que Dan Brown, e outros clones do gênero.

As Crônicas Saxônicas 2, O Cavaleiro da Morte – Bernard Cornwell

O Cavaleiro da Morte (The Pale Horseman) é o segundo livro da série Crônicas Saxônicas (The Saxon Stories), do autor inglês Bernard Cornwell.
Neste segundo livro, Bernard Cornwell, narra aos olhos de Uhtred como os dinamarqueses, conseguiram conquistar a ilha britânica em quase sua totalidade. Até o presente momento os dinamarqueses já haviam conquistado a Nortúmbria, a Mércia – parte central da ilha e a Ânglia Oriental. Mas ainda faltava o reino mais rico e poderoso entre todos na Ilha, Wessex, governado pelo rei Alfredo, o Grande.
Achei este livro ainda melhor que o primeiro, e o autor, permanecendo fiel aos fatos históricos, mantém uma narrativa envolvente.
Depois de ler o primeiro livro é impossível não ler este!

As Crônicas Saxônicas 1, O Último Reino – Bernard Cornwell


O Último Reino (The Last Kingdom) é o primeiro livro da série Crônicas Saxônicas (The Saxon Stories), do autor inglês Bernard Cornwell.
O livro conta a história da invasão dinamarquesa à Ilha Britânica, na visão de um jovem chamado Uhtred, herdeiro do reino da Nortúmbria.
Bernard Cornwell nos apresenta uma narrativa envolvente, e é sempre muito fiel aos fatos históricos.
Ler as Crônicas Saxônicas é uma aula de história, mostrando os costumes, tradições, táticas de guerra e política, tanto do lado dos saxões como dos dinamarqueses.
Recomendo a leitura!