Downbelow Station – C. J. Cherryh

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Ficha Técnica do Livro:

  1. Título: Downbelow Station (Company Wars #1)
  2. Nome do autor: C. J. Cherryh
  3. Tradutor: Não foi traduzido para o português
  4. Nome da editora: DAW Books;
  5. Lugar e data da publicação: EUA, 1982;
  6. Número de páginas: 526 páginas;
  7. Gênero: Ficção Científica Militar;
  8. Nota: ★★

Downbelow Station é um livro sobre guerra. O fato da guerra utilizar espaçonaves e raios lasers não tem qualquer importância. É um livro sobre nacionalismo, ambições pessoais e controle social. De certa forma é uma metáfora sobre a guerra fria, mas não é uma metáfora muito bem feita. Os personagens são soldados entediados, burocratas ambiciosos, aristocratas mimados, mercenários e fugitivos.
O livro envereda-se no território da Space Opera: uma guerra galática entre uma frota esfarrapada de obstinados contra as forças leais à Terra. Apesar de Cherryh partir de uma proposta interessante — mostrar como a humanidade se comporta em uma guerra— ela pede que o leitor tire suas próprias conclusões partindo de um universo estranho em que não vivemos, num futuro distante e sem dar nenhuma dica de como uma espécie alienígena se comportaria e tudo isso  é no mínimo frustante e deixa o leitor perdido.
O estilo de Cherryh é frustrante: muito sério e árido. Ela não facilitará em nada para você: não espere explicações, concessões para suavizar a leitura, nenhum truque ou piada para descontrair. Ela simplesmente coloca seus personagens em situações difíceis e deixa você assistindo enquanto tentam lidar com isso. E fim de conversa.
Apesar dela mostrar a política das facções e suas táticas de forma muito bem elaborada e competente, ela o faz de forma fria e sem graça.
Cada personagem de Downbelow Station é apresentado com um perfil psicológico muito estreito. Em nenhum momento eles irão mostrar ironia, humor ou conflitos morais, e isso para mim é imperdoável! Humor é o mecanismo clássico para se lidar com o stress, e acho difícil aceitar que essa qualidade do ser humano viria a se perder no futuro.
Como explicar que as tripulações das espaçonaves sejam compostas de autômatos leais incapazes de fazer uma simples brincadeira ou piada?
Quando você pretende contar uma história parte do sucesso dela reside na tensão dramática, em descrever como as coisas irão se resolver  e quais princípios irão prevalecer. A vida na estação de Pell é monótona, sem graça. Durante a guerra a vida fica apenas fica tensa. Não existe cores ou sabores que nos façam aceitar que a vale a pena salvar o estilo de vida dos rebeldes. Por quê o estilo de vida dos rebeldes está certo e a o da União errado? Por quê não o contrário? Tudo está em tons de cinza no livro de Cherryh,  mas infelizmente não são os tons de cinza daquele livrinho porno soft de E. L. James!

É correto classificar Downbelow Station como uma Space Opera? Não, pois falta romance, ação, um universo com vida e principalmente emoção! Muitos consideram esse livro genial, e dizem que as críticas à sua aridez são feitas por pessoas que não conseguiram entender a profundidade da história ou não foram inteligentes o suficiente para apreciar o livro. Eu digo que isso é uma grande bobagem, o livro é sem graça, monótono, frio e superficial.

Se você já leu todos os outros clássicos da ficção científica militar de Robert A. Heinlein ou Joe Haldeman então talvez possa tirar algum proveito desse livro, se ainda não leu não perca seu tempo, existe muita coisa melhor.

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The Forever War (Guerra Sem Fim) – Joe Haldeman

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The Forever War (Guerra sem Fim) é um romance de ficção científica militar do autor americano Joe Haldeman, escrito em 1974 e vencedor dos prêmios Hugo e Locus em 1976, além do Nebula de 1975. Existem edições em língua portuguesa, que podem ser encontradas com relativa facilidade em sebos, mas decidi ler a edição original em inglês para não ter que investir na compra. Recomendo a leitura desse livro, mas antes de escrever o por quê, vamos à uma introdução para quem não conhece a estória.

Introdução ao Roteiro

O livro conta a estória de William Mandella, um estudante de física que integra uma força de elite da Força Exploratória das Nações Unidas, que foi montada para iniciar uma guerra contra os Taurans, uma espécie alienígena que aparentemente atacou e destruiu naves de colonizadores humanos. A tropa da UNEF segue em uma missão de reconhecimento e revanche.
Os recrutas tem QI acima de 150, com educação acima da média, saudáveis e em boa forma. O treinamento é cruel: inicialmente no Missouri e mais tarde em planeta fictício localizado além da órbita de Plutão, chamado de Charon. O treinamento é rigoroso ao ponto de vários recrutas morrerem antes mesmo de enfrentrar o inimigo, devido ao ambiente extremo e o uso de armas reais.
As viagens espaciais acontecem graças ao uso de collapsars, que permitem o salto de distâncias gigantescas entre as estrelas, mas mesmos assim, as viagens entre os collapsars devem ser feitas à velocidades próximas à da luz, que causam efeitos de dilatação temporal massivos.
A primeira ação da UNEF acontece em Epsilon Aurigae, e graças a uma sugestão pós-hipnótica os recrutas realizam um massacre brutal contra um inimigo  que não oferece resistência. Essa primeira expedição iniciou-se em 1997, durou apenas dois anos na perspectiva de Mandella, mas devido à dilatação temporal devido às viagens entre os collapsares, na Terra décadas se passaram. No retorno à Terra os soldados experimentam o ‘Choque do Futuro’ (para mais informações sobre o fenômeno psicológico, veja o trabalho de Alvin Toffler, especialmente o livro A Terceira Onda). Durante a ausência de Mandella muita coisa mudou na Terra: superpopulação, racionamento de alimentos, o homossexualismo é estimulado como forma de controle de natalidade (mas Mandella logo considera que isso é apenas uma desculpa, pois existem métodos mais simples), e a violência urbana chegou ao ponto de se tornar quase impossível sair de casa desarmado ou sem um guarda costas.
Os soldados que retornam para esse mundo do futuro dificilmente conseguem se adaptar e acabam voltando a se apresentar para novas missões.
Como resultado das viagens, Mandella acaba tornando-se o veterano mais velho da guerra, chegando a acompanhá-la até o final, centenas de anos no futuro.

Impressões sobre o livro

Uma das vantagens de ler os vencedores do prêmio Hugo na ordem cronológica é perceber como o tempo em que foram escritos influencia as estórias, mesmo que essas se passem vários anos no futuro. E Guerra Sem Fim é um excelente exemplo disso. Escrito em 1974, ele mostra muito da convulsão social que os Estados Unidos enfrentou nos últimos 15 ou 16 anos desde que Heinlein escreveu Tropas Estelares.
Como muitos outros, Haldeman teve que alistar-se contra a vontade, foi removido da sociedade em que vivia e atirado em meio a uma guerra absurda no Vietnam, ferido em batalha foi devolvido à uma sociedade que não era mais a mesma que ele tinha deixado.
Guerra Sem Fim foi uma tentativa muito bem sucedida de expressar o que a experiência da guerra significou para Haldeman.
Mandella, assim como Haldeman, não gosta de ser um soldado, mas dificilmente podemos dizer que trata-se de um livro anti-guerra, que se opõe ao Tropas Estelares – isso seria uma simplificação exagerada. Ambos os livros tem suas qualidades e semelhanças, como no início onde ambos mostram a difícil preparação dos soldados em campos de treinamentos brutais, na forma como apresentam os equipamentos militares futuristas e na forma como exploram alternativas sexuais.
Mandella, numa exibição de homofobia, é incapaz de aceitar o fato de um parente próximo ter se tornado homossexual, e acaba voltando ao combate. Após algumas viagens à velocidades relativísticas ele acaba alguns séculos no futuro, e dessa vez tem que lidar com o fato de que o homossexualismo agora é regra, e não exceção. Certamente o autor pretendia discutir no livro o banimento do homossexualismo no militarismo, que aconteceu nos anos 70. Mas ao mesmo tempo, o autor retrata os homens desse futuro um tanto efeminados, até mesmo usando maquiagem e roupas caricatas – em 2002 o autor disse que não teria feito isso se o livro fosse escrito nessa época.
De qualquer forma, trata-se de um livro muito importante para tentarmos entender melhor o que a guerra do Vietnam significou para a sociedade americana, e para o mundo.

Tropas Estelares – Robert A. Heinlein

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Tropas Estelares (Starship Troopers) é um romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein em  1959 e vencedor do Prêmio Hugo de Melhor Romance em 1960.
Utilizando uma narrativa em primeira pessoa, o autor conta a aventura do soldado Johnny Rico, membro da infantaria móvel do exército. Após um ataque à Terra, que causa a destruição de Buenos Aires, a Terra parte para o ataque ao planeta dos seres que lembram aranhas.
O livro é listado como recomendado pela Força Aérea dos EUA, e quem lê percebe logo a razão disso. A estória exibe os ideais sobre os quais as forças armadas são baseadas: camaradagem, sacrifício, responsabilidade, distinção entre soldados e lutadores, entre ranques superiores e verdadeiros líderes.
Quem assistiu o filme de Paul Verhoeven primeiro pode achar o livro muito estranho, pois o ritmo, a mensagem passada e o nível de seriedade é completamente diferente, e pode levar o leitor a um pré-julgamento injusto com o livro.
Mas nem tudo é perfeito no livro de Robert A. Heinlein: o autor criou uma sociedade militarizada ao extremo, opressiva e sem ligação com as demais nações do planeta. A virtude dos cidadãos é medida pela dedicação militar, a cidadania plena só pode ser atingida (com direito à voto, por exemplo) após a prestação de serviço militar.
As questões científicas não são muito bem exploradas. As viagens espaciais não são explicadas muito bem, e o melhor que encontramos no livro é a descrição do traje de combate, uma espécie de exoesqueleto avançado cheio de recursos.
Muitos consideram essa postura muito fascista e por isso eu também classifico esse livro como apenas 4 estrelas.
De qualquer forma, é um grande livro, influenciou muito a literatura e o cinema do século XX: o filme Aliens o Resgate, por exemplo, usa termos como “bug hunt”, “the drop”, empilhadeiras exoesqueleto e os “Colonial Mariners” são tão fortemente inspirados no livro que os atores que os interpretaram foram obrigados a ler Tropas Estelares como preparação antes das filmagens.
O leitor pode achar exagerada a ênfase que o autor dá ao treinamento de Johnny, pois mais da metade do livro mostra apenas o treinamento, a outra metade suas relações com os oficiais e colegas, e resta muito pouco espaço para descrever os alienígenas, os combates e tecnologia empregada. Um excelente livro, mas não é perfeito.