O Carteiro – David Brin

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Ficha Técnica do Livro

  1. Título: O Carteiro (The Postman)
  2. Nome do autor: David Brin
  3. Tradutor: Fábio Fernandes
  4. Data e local de publicação: Internet, 2014;
  5. Número de páginas: 253 páginas;
  6. Gênero: Ficção Científica;
  7. Sub-Gênero: Ficção Pós-apocalíptica;
  8. Nota: ★★★ (3)

    O Carteiro (The Postman) é um romance de ficção científica pós-apocalíptica escrito por David Brin em duas partes: “O Carteiro” em 1982 e ¨Cyclops” em 1984. Posteriormente o livro foi publicado na sua forma completa, tendo sido indicado aos prêmios Hugo e Nebula, e recebeu os prêmios John W. Campbell e o Locus, em 1986. No Brasil o livro foi publicado apenas em duas partes, pela saudosa Isaac Asimov Magazine, a primeira no nº21 e a segunda no nº 23.
No link abaixo você encontrará a edição brasileira na íntegra, apenas foi feita a correção para a nova ortografia e a edição para epub, mobi e PDF.
A tradução não é minha, mas coloquei na categoria Minhas Traduções apenas facilitar a localização.

O Carteiro – David Brin (PDF)
  O Carteiro – David Brin (MOBI)
 O Carteiro – David Brin (EPUB)

   A maioria das pessoas deve conhecer essa história apenas através do péssimo filme com o Kevin Costner. No Brasil o título foi traduzido erroneamente como O Mensageiro. O filme é uma bomba, como quase tudo que Kevin Costner já fez na vida, mas felizmente eu tinha lido o livro na revista Isaac Asimov Magazine antes de assistir ao filme, e sabia que a história era muito mais do que aquilo que foi mostrado. O filme é sem sentido e simplesmente estúpido, Costner apenas tenta imitar Mad Max. Ele é baseado apenas nas primeiras 40 ou 50 páginas do livro. Caso você já tenha perdido tempo assistindo o filme espero que tenha sido há bastante tempo e espero que já tenha esquecido de boa parte dele, para ter um começo limpo nessa história.
O Carteiro é um livro no clássico sub-gênero pós apocalíptico. O mundo enfrentou uma guerra mundial, cujos detalhes (e até mesmo os oponentes dos EUA) são deixados de lado pelo autor. O uso maciço de armas nucleares, armas biológicas e o inverno nuclear destruiu completamente a civilização. O protagonista do livro, Gordon, era um miliciano em Minnesota, que tentava proteger alguns sobreviventes locais até que todos seus companheiros morreram e ele fugiu para o oeste. O livro começa quando Gordon está sendo roubado por uma gangue e sobrevive ao descobrir um carro postal abandonado e o corpo de um carteiro que morreu há muito tempo. Isso acaba salvando sua vida, pois ele tinha sido roubado e morreria de frio se não vestisse o casaco do carteiro. Ele acaba pegando a sacola de cartas do carteiro, sem pensar muito sobre isso. Quando ele chega à Pine View os habitantes locais reagem de forma inesperada e emocionada com a visão do uniforme, e ele acaba vendo-se tentado a encarnar o papel de carteiro.
Gordon acaba fazendo uso dessa mentira para conseguir respeito, atenção, abrigo e alimento. Ele mente dizendo que representa o governo dos Estados Unidos Restaurados, e as pessoas estão tão desesperadas para acreditar em algo que aceitam facilmente suas mentiras. Gordon se reconhece como uma fraude, e fica tentado a desistir da farsa, mas acaba rapidamente preso no papel. O autor mostra Gordon como um personagem amargurado e oportunista, no entanto ele possui uma moralidade inata esperando para mostrar-se.
O livro questiona o significado de heroísmo e liderança, e como alguém nessa situação pode acabar sendo dominado por um papel se desempenhá-lo muito bem ou por muito tempo.
Mas esse livro tem alguns problemas muito sérios. Na primeira metade, que é basicamente um livro de aventura e exploração de um ambiente pós-apocalíptico, existe uma certa estranheza na dinâmica da narrativa, uma impressão de que o autor está enfiando a narrativa goela abaixo do leitor ao invés de conduzi-la suavemente. Mas o pior acontece na segunda parte, quando Gordon irá enfrentar os sobrivencialistas: o livro sai completamente dos trilhos!
David Brin mostra uma reversão do status das mulheres à um padrão quase feudal, como se os direitos femininos fossem uma espécie de produto da civilização moderna. Quando Gordon chega à uma cidade onde existe uma espécie de nova onda de feminismo surgindo, Brin introduz algumas ideias bizarras sobre a necessidade das mulheres em controlar a violência dos homens, e sobre uma espécie de dicotomia no comportamento masculino entre o heroico e o vil, e faz um claro paralelo com a comédia antiguerra Lisístrata escrita por Aristófanes em 411 A.C.. Nessa comédia as mulheres de Atenas fazem uma greve de sexo e conseguem assim fazer com que seus maridos desistam da luta e busquem a paz. Esse paralelo com Lisístrata está até na dedicatória do livro. Próximo do fim do livro tudo se resume à uma briga cheia de testosterona no estilo saloon de filmes de faroeste. David Brin fica preso à esse modelo binário de gêneros, indo da condescendência sincera em tentar reconhecer a força das mulheres à simplificação na descrição do comportamento masculino, agressivo e superficial.
Para piorar tudo, David Brin simplesmente puxa o tapete debaixo dos pés do mundo que ele criou. O tema principal de O Carteiro até próximo do fim é a substituição da ênfase na tecnologia pelo aumento da importância das pessoas, e a necessidade de cooperação entre elas. Em um trecho bem conduzido Brin consegue mostrar as possibilidades de se utilizar a tecnologia como ferramenta para a salvação, e esse tema encaixa perfeitamente com a natureza heróica de Gordon. Mas logo depois o autor introduz vilões caricatos, típicos de revistas em quadrinhos, tudo descamba para a simples violência e acaba desviando o foco para as partes ruins do livro.
Sem dúvida alguma o livro é melhor que o filme, mas isso não quer dizer muita coisa. O livro começa devagar, mas o meio dele é até melhor do que poderíamos esperar. Mas o embaraçoso sub-enredo envolvendo o feminismo e o colapso do mundo que ele criou deixou um gosto amargo na boca do leitor.
Apesar de tudo é um livro que recomendo a leitura, e apesar dos problemas que possui é um livro pós-apocalíptico regular. Se você está procurando um livro pós-apocalíptico melhor experimente ler Um Cântico para Leibowitz (veja minha análise).

Hyperion – Dan Simmons

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Post atualizado, veja abaixo informações sobre a tradução para o português!

Hyperion, de Dan Simmons, é o primeiro livro da série Hyperion Cantos, escrito em 1989 e vencedor do Prêmio Hugo e Locus de melhor romance em 1990.
O livro foi escrito utilizando o estilo literário em quadros (várias histórias dentro da história principal), com várias linhas de tempo e personagens.
A história principal conta como um grupo é enviado em uma peregrinação até as Time Tombs no planeta Hyperion. Cada peregrino conta sua estória, e cada uma valeria um livro à parte, de tão interessantes de genialmente conduzidas pelo autor.
Dan Simmons criou um universo ficcional muito interessante, com tecnologias fantásticas que impactam dramaticamente a vida humana. Além disso muito do mistério envolve o Shrike, um terrível anti-herói (ou monstro), e o próprio personagem principal, o Cônsul, que também um personagem enigmático e complexo.

Contexto do Universo Hyperion

O primeiro livro está situado no século 28, onde a humanidade já colonizou boa parte da galáxia. A tecnologia que possibilitou isso foi o Motor de Hawking, que possibilita viagens mais rápidas que a luz. Mas a tecnologia que realmente revolucionou a vida humana foram os farcasters, espécies de portais que permitem viagens instantâneas independentes da distância envolvida entre cerca de 250 mundos. Cada um desses mundos possui milhares, ou até mesmo milhões de conexões farcaster. Os farcasters estão reunidos em uma rede, conhecida como WorldWeb, que tornou-se a base da economia e de toda infraestrutura da humanidade. Através desses portais, além de pessoas e mercadorias, fluem dados das avançadas dataspheres, uma rede que lembra a internet pelo fato de não estar localizada em apenas um local, mas contar com inúmeros nós de rede.  Os planetas pertencentes à WorldWeb são tão dependentes da interligação dos farcasters que alguns mundos sequer produzem alimentos para consumo próprio, dependendo completamente da troca interplanetária e até mesmo partes de residências podem ficar separadas em mundos diferentes, e as pessoas podem trabalhar em um mundo, e residir em outro.
Praticamente todas as Inteligências Artificiais (IA) existentes estão interligadas através dessa rede de dataspheres, criando uma entidade poderosa conhecida como TechnoCore.
A conexão entre os farcasters acontece graças às esferas de singularidades (buracos negros artificiais) localizados na órbita de cada mundo. A Terra foi destruída por um acidente com sua esfera de singularidade, e após o acidente aconteceu a Hegira (do hebreu hagira, que significa migração), onde várias naves semeadoras foram enviadas para estabelecer colônias em novos mundos, entre eles Hyperion.
A Hegemonia é uma sociedade em decadência que depende da força armada (conhecida como FORCE) para manter sua influência, e enfrenta a ameaça dos Ousters, bárbaros interestelares que vivem além dos limites da Hegemonia e não querem viver sob a influência do TechnoCore e dos farcasters. O líder da Hegemonia é assessorado pelo conselho consultivo TechnoCore. Entretanto o TechnoCore não consegue compreender as misteriosas Time Tombs, e a ainda mais misteriosa criatura Shrike que encontram-se no longínquo mundo Hyperion.
Os Ousters estão obcecados por Hyperion, e a invasão do mundo é iminente no início do livro.
Hyperion é um dos nove mundos ‘labyrinthine’ (labiríntico), que possuem redes de antigos labirintos subterrâneos com propósito totalmente desconhecido. Outras características de Hyperion dignas de nota: possui gravidade de 4/5g, uma fauna e flora peculiar com as formidáveis árvores Tesla – que como o nome sugere são gigantescas geradoras de eletricidade, e o mais importante são as Time Tombs (Túmulos do Tempo), gigantescos artefatos de origem desconhecida cercados por campos “anti-entrópicos” que permitem viajar pelo tempo, que é protegida pelo Shrike.
No meio dessa crise sete peregrinos são convocados pela Church of the Final Atonement (Igreja da Redenção Definitiva) para realizarem uma peregrinação até os Time Tombs para consultar o Shrike, que diz-se fornecer um desejo para os peregrinos que chegam até lá, mas existe uma lenda de que todos os peregrinos são mortos (exceto um, que tem seu pedido concedido) e presos à uma árvore de metal (daí vem o nome Shrike, no Brasil conhecido como picanço, que tem como característica o hábito de espetar suas presas em espinhos de árvores para comer mais tarde).
Apesar de toda tecnologia avançada e de até mesmo o Cônsul possuir uma nave particular, a peregrinação tem que ser feita utilizando meios de transporte primitivos, como barcos a vela, pois os campos anti-entrópicos das Time Tombs já causaram vários acidentes misteriosos com naves que tentaram aproximar-se pelo ar. A longa viagem acaba propiciando o tempo necessário para cada peregrino apresentar sua história e aos poucos vamos descobrindo mais sobre Hyperion.

Considerações sobre o livro

Eu vinha adiando a leitura de Hyperion há algum tempo. Tenho focado nos grandes mestres como Asimov, Clarke e Heinlein, mas quando iniciei o projeto de ler e analisar todos os vencedores do Prêmio Hugo, decidi encarar a leitura do livro em inglês, pois como todos que gostam de ficção científica bem sabem, as editoras brasileiras não tem interesse em traduzir e vender esse tipo de literatura no Brasil.
O livro foi escrito em uma estrutura de estórias dentro da estória principal, na forma de relatos dos peregrinos, uma clara referência ao excelente livro “Os Contos de Canterbury (ou Cantuária)” de Geoffrey Chaucer. É um tipo de prosa muito interessante e bem conduzido pelo autor.
A história de cada peregrino é contada sob o ponto de vistas deles, cheias de detalhes e é impossível não se emocionar com elas.
Em Hyperion encontramos os misteriosos Túmulos do Tempo (Time Tombs), estruturas enigmáticas que se movem para trás no tempo. Existe um mar de grama alta que lembra um oceano, mas que não pode ser cruzado à pé por causa das cobras que vivem ali. Existe o Shrike, uma misteriosa (e assustadora) criatura que massacrou os habitantes da Cidade dos Poetas e tem o hábito de empalar suas vítimas em uma árvore de metal.
Dan Simmons convence em grande parte por tratar do tema com certa ingenuidade: ele não se preocupa o tempo todo em tentar convencer o leitor com ciência. Ele prefere colocar os personagens em situações interessantes e fascinantes, e então apela ao bom senso e usa as palavras com maestria para fazer o leitor sentir-se como parte da história. E a imersão começa muito rapidamente, antes mesmo de conhecer os personagens, antes mesmo da ação se iniciar. O próprio personagem principal, o Cônsul, é a figura mais enigmática de todas e só um grande autor conseguiria manter o interesse do leitor em um personagem tão sombrio até o final dessa forma!
Mas para ser mais imparcial, considero que existem pequenas falhas no livro, mas nada que incomode. Por exemplo, Dan Simmons exagera um pouco na descrição de características físicas dos personagens que poderiam ser deixadas de lado, como diferenças entre os tamanhos do lábio superior para o inferior ou outras características superficiais… um pouco de desperdício de tinta, mas afinal é apenas um parágrafo, nada demais. Outro problema é que o autor esforçou-se demais em manter o perfil psicológico na história de cada peregrino. Cada linha, cada parágrafo mostra essa preocupação em manter o perfil estável. Eu gostaria de ter visto um pouco de conflito nos personagens. Mas talvez isso tenha sido intencional: o autor desejava criar personalidades bem definidas. Num oceano de coisas boas em Hyperion, não seria esse detalhe que estragaria o livro.

Hyperion é um grande livro, descreve um mundo fascinante e utiliza uma prosa extraordinária. Se você está procurando um bom livro — tão bom quanto Duna — deveria seriamente considerar este. Não perca tempo esperando uma edição em português (que talvez nunca venha a existir), pegue um dicionário (ou use o dicionário do Kindle), largue tudo o que você está lendo e descubra o que você estava perdendo até agora. Você não irá se arrepender.

Tradução para o português
Um amigo está traduzindo o livro para o português, no momento já concluiu mais de 2/3 do livro. Ele tentou contato com a editora de Dan Simmons nos EUA, mas eles recusaram o material, então fará mais uma tentativa com as editoras nacionais.
Enquanto não termina a tradução irei postar aqui detalhes sobre o processo e as decisões que tem sido tomadas.
Existem algumas dúvidas em relação à trechos de Hyperion, principalmente em quanto aos poemas de John Keats. Ele ficaria muito agradecido se alguém conseguir fornecer ou melhorar um pouco as traduções para os poemas abaixo.

  • Termos traduzidos (ou não) para o português
    Farcaster → Sistema de transporte instantâneo em distâncias intergaláticas (mantido o original);
    Comlog → Dispositivo pessoal de acesso à rede dos dataspheres, através de interface neural (mantido o original);
    Fatline → Sistema de comunicação instantânea, semelhante aos ansibles de Le Guin e Orson Scott Card (mantido o original);
    WorldWeb → Teia de Mundos;
    Cryofugue → Fuga Criogênica (hibernação para viagens interestelares em naves tipo spinship);
    Treeship → Nave-árvore; (estranho, mas é literalmente uma nave árvore)
    Torchship → Nave classe torch;
    Spinship → Nave de Salto. Os passageiros utilizam o sistema de crio-fuga;
    Stimsim → Estimulante Virtual;
    Ousters → Despejados;
    Skimmer → Talha-mar; (veículo aéreo que faz referência à ave também conhecida como gaivota-bico-de-tesoura)
    Deathwand → Bastão da Morte;
    All Things → Todas Coisas (Rede computacional interplanetária inteligente e autoconsciente);
    Dataspheres → Núcleos computacionais planetários onde existe a rede Todas Coisas;
    AI → IA (Inteligência Artificial);
    Burnt Offering → Holocausto (mantido o termo conforme aparece na Bíblia em Êxodo 18:12);
    Windwagon → Carruagem de Vento (uma espécie de caravela para navegar no mar de grama);
    See you later, alligator! → Rima que não faz sentido em português, traduzida como “Depois te vejo, percevejo!”
  • Poemas no Capitulo 1

“No smell of death—there shall be no death, moan, moan;
Moan, Cybele, moan; for thy pernicious Babes
Have changed a god into a shaking palsy.
Moan, brethren, moan, for I have no strength left;
Weak as the reed—weak—feeble as my voice—
Oh, oh, the pain, the pain of feebleness.
Moan, moan, for still I thaw.…”

“Morte sem cheiro—não haverá morte, lamente, lamente;
Lamente, Cybele, lamente; por seus Bebês perniciosos
Tendo transformado um deus em uma paralisia trêmula.
Lamentem, irmãos, lamentem, pois não me resta mais força;
Fraco como um junco—fraco—débil como minha voz—
Oh, oh, a dor, a dor da debilidade.
Lamentem, Lamentem, pois eu ainda derreto.…”


“Straddling each a dolphin’s back
And steadied by a fin,
Those Innocents re-live their death,
Their wounds open again.”

“Montando cada um nas costas de um golfinho
E seguros por uma barbatana,
Esses Inocentes revivem sua morte,
E suas feridas abrem-se novamente.”


“He seyde, ‘Syn I shal bigynne the game,
What, welcome be the cut, a Goddes name!
Now lat us ryde, and herkneth what I seye.’
And with that word we ryden forth oure weye;
And he bigan with right a myrie cheere
His tale anon, and seyde as ye may heere.”

“Ele disse, ‘Já que me coube dar início ao jogo,
Ora, louvado seja em nome do Senhor!
Agora vamos continuar nossa viagem, e ouçam o que tenho a dizer’
E com tais palavras, retomamos o caminho;
E ele, com o semblante risonho,
Principiou o seu conto, e narrou o que aqui se segue.”

 (Trecho do prólogo de Os Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer)
  • Poemas no Capítulo 2

“Deep in the shady sadness of a vale
Far sunken from the healthy breath of morn,
Far from the fiery noon, and eve’s one star,
Sat gray-hair’d Saturn, quiet as a stone,
Still as the silence round about his lair;
Forest on forest hung above his head
Like cloud on cloud.…”

“Fundo na tristeza das sombras de um vale
Há muito afundada na respiração saudável da manhã,
Longe do meio-dia ardente, e da estrela vespertina,
Senta-se Saturno de cabelos cinzentos, quieto como pedra,
Imóvel como o silêncio ao redor de seu lar;
Floresta sobre floresta pendurada acima de sua cabeça
Como nuvens sobre nuvens…”

  • Poemas no Capítulo 3

Segue a tradução de um dos poemas do Cantos de Hyperion, de Martin Silenus, lido pelo Rei Billy, o Triste.

“Without story or prop
But my own weak mortality, I bore
The load of this eternal quietude.
The unchanging gloom, and the three fixed shapes
Ponderous upon my senses a whole moon.
For by my burning brain I measured sure
Her silver seasons shedded on the night
And ever day by day I thought I grew
More gaunt and ghostly—Oftentimes I prayed,
Intense, that Death would take me from the vale
And all its burdens—Gasping with despair
Of change, hour after hour I cursed myself.”

“Sem história ou sustentáculo
Mas minha própria e fraca mortalidade, eu trago
A carga dessa eterna quietude.
A melancolia imutável, e as três formas fixas
Laborando sobre meus sentidos uma lua completa.
Pelo meu cérebro em chamas eu meço com certeza
Suas estações prateadas derramadas pela noite
E já no dia à dia eu penso ter crescido
Mais descarnado e fantasmagórico — Frequentemente eu rezei,
Intensamente, para que a Morte me leve do vale
E todo seu fardo — Engasgando com desespero
Da mudança, hora após hora eu me amaldiçoo.”


“Then I saw a wan face
Not pinned by human sorrows, but bright blanched
By an immortal sickness which kills not;
It works a constant change, which happy death
Can put no end to; deathwards progressing
To no death was that visage; it had passed
The lily and the snow; and beyond these
I must not think now, though I saw that face …”

“Então eu vejo uma face lívida
Não presa à dores humanas, mas brilhantemente desbotada
Por uma doença imortal que não mata;
Trabalha como uma mudança constante, como morte feliz
Não pode por fim à isso; o avanço da morte
Pois nenhuma morte teria esse semblante; assim me passou
A margarida e a neve; e além dessas
Eu não posso pensar agora, apesar de ver aquele face…”

  • Poemas no Capítulo 4

“Where’s the Poet? Show him! Show him,
Muses mine, that I may know him!
’Tis the man who with a man
Is an equal, be he king.
Or poorest of the beggar-class,
Or any other wondrous thing
A man may be ’twixt ape and Platô.
’Tis the man who with a bird,
Wren or eagle, finds his way to
All its instincts. He hath heard
The lion’s roaring, and can tell
What his horny throat expresseth,
And to him the tigers yell
Comes articulate and presseth
On his ear like mother-tongue.”

“Onde está o Poeta? Façam que apareça,
Ó Nove Musas, para que eu o conheça!
É um homem que ante um outro é amigo
E par, seja Rei, ou o mais miserável.
Que possa haver de um bando de mendigos,
Ou qualquer outra coisa admirável
Alguém que é um intermediário entre Platão.
E um símio; alguém que, com a ave, corruíra,
Ou mesmo uma águia, se aproxima então
De todos os instintos; o que ouvira
O rugido do leão, e que distingue
O que em sua garganta córnia exprime,
Um homem a quem o brado do tigre
Lhe chega articulado, e lá se imprime
No ouvido dele, como língua-mãe.”


“Who are these coming to the sacrifice?
To what green altar, O mysterious priest,
Lead’st thou that heifer lowing at the skies,
And all her silken flanks with garlands dressed?
What little town by river or sea-shore,
Or mountain-built with peaceful citadel,
Is emptied of its folk, this pious morn?
And, little town, thy streets for evermore
Will silent be; and not a soul, to tell
Why thou art desolate, can e’er return.”

“Quem serão estes que estão vindo para o sacrifício?
Para que verde altar conduzes, misterioso sacerdote,
Esta novilha que levanta para os céus o seu mugido,
Tendo os sedosos flancos revestidos por guirlandas?
Que pequenina urbe junto a rio ou mar,
Ou construída em montanha, com tranquila cidadela,
Por esta gente é abandonada, esta manhã piedosa?
Cidadezinha, para sempre tuas ruas ficarão silentes
Nem alma alguma voltará jamais para dizer
Por que razão estás desabitada.”

All You Need Is Kill – Hiroshi Sakurazaka

Cover

“That’s the thing with books. Half the time the author doesn’t know what the hell he’s writing about – especially not those war novelists.” (Hiroshi Sakurazaka, All You Need Is Kill)

All You Need is Kill é um romance japonês de ficção científica militar de Hiroshi Sakurazaka, que inspirou o filme No Limite do Amanhã, com Tom Cruise e Emily Blunt.

Introdução ao roteiro

A estória é contada sob a perspectiva de Keiji Kiriya, um recruta novato da UDF (Força de Defesa Unida) que alistou-se para lutar contra os misteriosos ‘Mimics’ que ameaçam a vida na Terra. Keiji morre logo no primeiro combate, mas através de um fenômeno aparentemente inexplicável ele acorda na manhã do dia anterior à batalha. Isso continua se repetindo e ele descobre que está preso a algum tipo de loop temporal, e passa a acreditar que a única forma de escapar desse loop é desenvolver suas habilidades de combate, e derrotar os Mimics.
Podemos dizer que o autor fez um encontro entre a famosa comédia de Bill Murray, O Feitiço do Tempo (Groundhog Day) com o videogame Halo. O resultado foi bem interessante, e apesar da linguagem muito juvenil, os personagens foram bem construídos, o background tecnológico é muito interessante, e a origem dos Mimics é bem trabalhada, mas, como toda ficção envolvendo viagens no tempo, apresenta alguns paradoxos que podem confundir o leitor.
Os soldados usam uma espécie de exoesqueleto (Jacket) que lembra bastante o descrito por Heinlein em Tropas Estelares (veja minha resenha). As similaridades com esse famoso livro de Heinlein não terminam por aí, pois assim como neste clássico da ficção científica, a estória é contada sob o ponto de vista de um recruta em meio a uma guerra brutal contra alienígenas.
A tradução do livro não foi uma tarefa muito complexa, devido a linguagem simples utilizada, mas foi um tanto trabalhoso pois o livro não é tão pequeno assim (são quase 60000 palavras)
O livro ganhou certa projeção internacional, pois inspirou o mais recente filme de Tom Cruise, Edge of Tomorrow (No Limite do Amanhã), que conta com a participação da excelente atriz Emily Blunt. O filme vem sendo muito bem avaliado (nota 8,1 no IMDB), mas existem diferenças gigantescas entre os dois trabalhos.
O livro não é genial, a linguagem não é das melhores, mas é muito divertido e fácil de ler. Afinal, quem não gosta de uma estória que mistura aliens, mechs, guerra e viagem no tempo?

Link para download em PDF (Proibida a comercialização):All You Need is Kill

A Desagradável Profissão de Jonathan Hoag – Robert A. Heinlein

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A Desagradável Profissão de Jonathan Hoag (The Unpleasant Profession of Jonathan Hoag) é uma estória escrita por Robert A. Heinlein em 1942, e publicada pela primeira vez na revista Unknown Worlds sob o pseudônimo de John Riverside.
Essa estória foi a última contribuição de Robert A. Heinlein à chamada Golden Age da ficção, antes de interromper seu trabalho devido à segunda guerra mundial.
Um filme de Alex Proyas (de Cidade das Sombras, O Corvo e Eu,Robô) está atualmente sendo desenvolvido, mas ainda sem data prevista para lançamento.
Se você acompanha este site, então sabe que já critiquei Robert A. Heinlein anteriormente, e até considerei Um estranho em Uma Terra Estranha um livro superestimado, mas agora dou meu braço a torcer. Ele realmente foi um escritor genial, e esse livro é mais uma prova disso.

Tradução para o português

O maior mistério de The Unpleasant Profession of Jonathan Hoag é tentar entender por que essa estória nunca foi traduzida para o português. Falta de interesse dos editores? Ausência de público no Brasil?

Introdução ao roteiro (sem spoilers)

Jonathan Hoag, um cidadão de Chicago, apreciador de arte e jantares refinados, subitamente se dá conta de que não tem lembrança alguma de suas atividades durante o dia. Ao lavar as mãos ele descobre uma estranha sujeira sobre suas unhas, que suspeita ser sangue. Preocupado por estar envolvido em alguma atividade nefasta, ele procura um casal de detetives, Teddy e Cynthia Randall, para ajudá-lo a descobrir suas atividades, seguindo-o durante o dia. Ted e Cynthia  encontram-se imediatamente atirados em grandes mistérios: As memórias sobre sua profissão são falsas, ele não deixa impressões digitais, e ainda mais estranho: as próprias lembranças dos investigadores do que acontece durante a investigação parece não combinar. Um prédio de trinta andares que não existe, seres misteriosos e ameaçadores vivendo dentro de espelhos, e a realidade não sendo o que parece.
Parte estória sobrenatural, parte estória de detetives noir, Heinlein nos guia para o fundo do buraco do coelho, levando o leitor para o inesperado e surpreendente!

Link para download em PDFMOBI ou EPUB. (Proibida a comercialização)

Metropolis – Thea Von Harbou

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Metropolis (O livro) talvez seja o maior clássico não celebrado da ficção científica. Apesar de todos reconhecerem a importância do filme de Fritz Lang, de 1927, poucos sabem que o roteiro do filme foi escrito em conjunto com sua esposa, Thea Von Harbou, que era uma escritora famosa da República Alemã que precedeu a Alemanha Nazista, e que esse roteiro originou-se de um romance escrito por Harbou com único propósito de ser adaptado futuramente para o cinema. O romance apoiou-se fortemente na campanha de marketing do filme, e foi serializado para ser publicado no jornal Illustriertes Blatt em conjunto com o lançamento do filme. Harbou e Lang trabalharam juntos em um roteiro derivado desse romance, e vários pontos importantes e elementos temáticos – incluindo a maioria das referências à magia e ocultismo presentes no romance – foram descartados.
Recentemente, em julho de 2008, foi descoberta uma versão do filme com vários minutos que tinham sido cortados, e após muita restauração foi lançada uma nova versão do filme em fevereiro de 2010.
Mas o livro permaneceu na obscuridade, praticamente abandonado internacionalmente, e completamente ignorado no Brasil.
Acredito que o envolvimento de Thea Von Harbou com o nazismo não só acabou com o casamento dela com Fritz Lang – que recusou-se a fazer propaganda para o nazismo -,  como acabou lançando a escritora no limbo editorial, do qual não saiu ainda hoje. Quando a guerra terminou, Thea foi presa e depois condenada a trabalhos forçados na limpeza  de escombros.
Ele nunca tinha sido traduzido para o português, então aceitei fazer a tradução a partir da versão em inglês, a pedido do Exilado, que possui um excelente blog de divulgação de livros.
Apesar do livro estar em domínio público, não tenho interesse comercial no trabalho, espero apenas ajudar fãs de ficção que permanecem ignorados pelas editoras nacionais.

Segue abaixo a tradução completa, com as geniais ilustrações de M.W. Kaluta, no estilo art déco, veja mais informações no prefácio que escrevi no livro.

Metropolis – Thea von Harbou

Agentes do Destino – Philip K. Dick

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Agentes do Destino (Adjustment Team) é um conto de Philip K. Dick publicado pela primeira vez na revista Orbit Science Fiction (Setembro-Outubro 1954, nº4).
O conto foi adaptado de forma muito competente para o cinema em 2011, no filme Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau), de George Nolfi, com os excelente atores Matt Damon e Emily Blunt.
A ideia do filme é a mesma do trabalho de Philip K. Dick, mas o diretor conseguiu elaborar bastante a história, colocando novos elementos que enriqueceram nobremente o trabalho imaginativo do escritor.

Introdução ao Roteiro (do conto, com leves spoilers)

Eddie Fletcher é um típico trabalhador de classe média dos anos 50, casado e com um emprego comum e desinteressante. Durante o café da manhã, enquanto ele e sua esposa preparam-se para mais um dia de trabalho, somos apresentados a dois personagens estranhos: O Secretário e o Convocador. Eles cometem um erro que acaba revelando à Ed que a realidade não é exatamente o que ele acreditava, e conduzindo-o quase ao fim de seu casamento e da sua sanidade mental.

Considerações sobre o conto (e sobre o filme!)

Philip K. Dick escreve sobre um dos seus temas preferidos: Realidades Adaptadas, que compreendem os seguintes livros e contos.

  • «We can Remember it for You Wholesale» (BR: «Podemos Recordar para Você, por um Preço Razoável»)
  • «Second Variety» (BR: A Segunda Variedade)
  • «Impostor» (BR: O Impostor)
  • «The Minority Report» (BR: Minority Report – A Nova Lei)
  • «Paycheck» (BR: O Pagamento)
  • «The Golden Man» (BR: O Homem Dourado)
  • «Adjustment Team» (BR: Agentes do Destino)

Em Agentes do Destino o autor consegue manter uma narrativa dinâmica, cheia de bom humor, ironia e suspense. Ele não explica muito bem quem são os Agentes que interferem na realidade, mas seus objetivos ficam bem claros. O final é brilhante e muito feliz, deixando um sorriso no rosto do leitor e um gostinho de quero mais!
Já o filme partiu dessa excelente obra e acrescentou alguns elementos geniais, como a forma com que os agentes viajam usando portas comuns, mas que para quem faz uso do chapéu dos agentes permite viajar instantaneamente de um lugar à outro. A cena do personagem de Matt Damon correndo na chuva (que interfere no poder de localização dos agentes) é outro ponto forte do filme, muito divertida! Veja aqui a cena no Youtube.
As alterações deixaram a história mais emocionante e com bastante romantismo, pois agora o personagem principal luta pelo seu amor, além da sua sanidade mental!
Normalmente costumo dizer que o livro sempre é melhor que o filme, mas nesse caso são obras complementares excelentes e só tenho elogios para elas.
Recomendo tanto o livro quanto o filme!

Link para download em PDF (Proibida a comercialização): Agentes do Destino
Link para download em MOBI (Proibida a comercialização): Agentes do Destino

Who Goes There – John W. Campbell como Don A. Stuart

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Who Goes There? (Quem Esta Aí?) é uma novela (texto entre 20 e 40 mil palavras) de ficção científica escrito por John W. Campbell sob o pseudônimo de Don A. Stuart, publicado pela primeira vez na célebre revista Astounding Science-Fiction em 1938, da qual ele foi o principal editor.
Esse conto é considerado um dos mais importantes da fase que ficou conhecida como a Primeira Era Dourada da Ficção Científica (anos 30 à anos 50), precedendo a fase New Wave que foi de de 1960 à 1970.
Em 1973 o conto foi escolhido pela associação Science Fiction Writers of America como uma das melhores histórias de ficção científica já escritas.
A história foi adaptada três vezes para o cinema: a primeira em 1951, com o título The Thing from Another World (O Monstro do Ártico); a segunda em 1982 como The Thing (O Enigma de Outro Mundo), dirigida por John Carpenter, e mais recentemente como uma prequel para a versão de Carpenter, também chamada The Thing (O Enigma de Outro Mundo), e lançado em 2011.
Sem dúvida é um dos melhores textos de ficção científica já escritos, uma verdadeira obra prima que influencia até hoje o cinema e a literatura e que merecia uma tradução, veja mais abaixo os links para download.

Introdução ao Roteiro (Alerta de Spoilers!)

Um grupo de cientistas, isolados na Antártica próximos do fim do inverno, descobrem uma espaçonave alienígena enterrada no gelo, onde caiu a cerca de vinte milhões de anos atrás. Eles tentam entrar na nave utilizando uma carga de térmite, mas acabam acidentalmente a destruindo pois a nave é feita de uma liga de magnésio, que é muito reativa. No entanto, conseguem recuperar o que acreditam ser um dos tripulantes alienígenas que ficou congelado ao tentar escapar da nave após o acidente.
Eles o levam para o acampamento principal, e decidem descongelar o Alien, e tem uma surpresa muito desagradável.
A Coisa é capaz de assumir a forma, memórias e personalidade de qualquer ser vivo que ele devora, enquanto mantém o seu corpo original para futura reprodução.
Quando a equipe descobre o que está acontecendo já não tem certeza de quem ainda é humano, e quem é uma cópia.
A história é tão bem desenvolvida que não ousarei contar mais nada aqui, recomendo a leitura!
Estou disponibilizando a tradução em PDF, perdi os links dos arquivos em Epub e Mobi.  Who Goes There (versão final em PDF)

 

A Nova Utopia – Jerome K. Jerome

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Jerome Klapka Jerome (1859 – 1927) foi um escritor e humorista inglês, mais conhecido por seu livro Three Men in a Boat (1889).

A estória curta The New Utopia (1891) pode ser considerada o berço do gênero da literatura que utiliza as distopias como cenário, onde as obras mais conhecidas são 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.
Como não encontrei tradução para o português, traduzi o original encontrado aqui, e montei o arquivo em epub e mobi.  Como trata-se de material de domínio público, sinta-se a vontade para copiar meu trabalho de tradução abaixo, apenas peço que não o utilize para fins comerciais! Peço também que me desculpem por algum erro de tradução, e considerem que não sou profissional, fiz o trabalho apenas por amor à literatura. Críticas e sugestões de correções serão muito bem vindas!

A Nova Utopia – epub

A Nova Utopia – mobi

Também publiquei o livro na Amazon, se você gostou do texto ou se preferir receber diretamente no seu Kindle, compre através do link abaixo. Eu coloquei o menor preço possível (R$2,61), apenas para disponibilizar outra forma de distribuição pela internet. Eu não estou buscando ganhar dinheiro com isso, juro que tentei colocar ele gratuitamente, a Amazon que não permitiu!

A Nova Utopia – Link para compra na Amazon

Introdução ao roteiro

O primeiro romance distópico – Nós – foi escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin, como já escrevi anteriormente aqui, e pode-se ver claramente que a inspiração para Nós veio do trabalho de Jerome K. Jerome, assim como 1984 de George Orwell foi fortemente inspirado no trabalho de Zamyatin.

A estória começa com um grupo aristocrata “progressista” reunido no Clube Nacional Socialista, onde após um jantar  requintado com faisão recheado com trufas, regado com um vinho caríssimo, e excelentes charutos, o grupo de amigos “progressistas” faz uma instrutiva discussão sobre igualdade do homem e a nacionalização do capital.
O autor faz uma bem humorada crítica aos “avançados” socialistas, que enquanto pregam a igualdade e divisão da riqueza se refastelam com as melhores comidas e bebidas.
O narrador, apesar de não estar muito familiarizado com a retórica socialista, abraça integralmente o que é discutido e também considera que o mundo deveria ser reconstruído segundo essa ótica da igualdade e estatização dos meios de produção.
Depois da noitada ele cai esgotado na cama, e leva um susto ao acordar mil anos no futuro, dentro de uma redoma de vidro em um museu.
Ele descobre que o deixaram exposto todo esse tempo, apenas para verem até quando ele ficaria dormindo.
Um velho cavalheiro gentilmente o acompanha pela cidade, mostrando como o mundo tornou-se uma maravilhosa utopia socialista.

Considerações sobre o livro

O autor usa bastante humor e ironia para retratar essa Nova Utopia, mostrando que na verdade os ideais socialistas podem levar não só ao fim da liberdade, como a eliminação de tudo que existe de bom no ser humano, como a ambição, a criatividade e a alegria de viver. O personagem no fim de sua viagem ao futuro compara os homens desse futuro socialista à cavalos ou gado, mostrando que o principal objetivo dessa Nova Utopia é eliminar a alma humana.
Uma excelente estória curta, recomendo muito a leitura! Se você não quiser gastar na Amazon, baixe através dos outros links que disponibilizei!