O Dia Depois de Amanhã – Robert A. Heinlein

Robert A Heinlein_Sixth Column_BEAN_John MeloO Dia Depois de Amanhã (Sixth Column, também conhecido como The Day After Tomorrow) é um romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein, baseado em uma estória do editor e escritor John W. Campbell. Campbell inicialmente  tinha imaginado a estória de Sixth Column, com o título de All, mas ele relutou em publicar pois gostaria de remover os aspectos racistas da linha original da estória, e por considerar que ela não seria aceita artisticamente. Então Heinlein aceitou o desafio e reescreveu a estória, tentando melhorar os aspectos racistas e falta de explicação científica para a arma desenvolvida na instalação militar secreta.
Especula-se que o personagem Calhoun, que rivaliza com Ardmore no comando, e acaba enlouquecendo acreditando na falsa religião criada por eles, é na verdade uma paródia que Heinlein faz de Campbell.
Foi publicada inicialmente na forma de uma série na revista Astounding Science Fiction (Janeiro, Fevereiro e Março de 1941).
Encontrei apenas uma tradução em português de Portugal, de Maria Luísa Gonçalves dos Santos, o que é uma pena pois não gosto dos vocábulos usados por eles, principalmente em traduções mais antigas.

Introdução ao roteiro (com leves spoilers)

A estória acontece em um Estados Unidos que acabou sendo conquistado pelos Pan-asiáticos, uma combinação de exércitos japoneses e chineses.
Uma instalação militar ultrassecreta, escondida nas montanhas do Colorado é o último posto militar do Exército dos EUA, depois de uma derrota para os Pan-asiáticos.
Os Pan-asiáticos inicialmente tinham enfrentado os Soviéticos, e após derrotá-los partiram inicialmente para a conquista da Índia.
Quando iniciaram a conquista da América eles foram cruéis e impiedosos, por exemplo, após uma rebelião de forças de resistência eles mataram 150.000 civis americanos apenas como penitência.
A única coisa que os invasores permitem é a prática livre de religiões, pois consideram uma ferramenta útil para acalmar os escravos.
O laboratório militar secreto no começo da estória está enfrentando sérios problemas, pois todos, exceto seis sobreviventes, morreram subitamente devido a alguma experiência realizada com uma nova teoria magneto-gravítica ou eletro-gravítica.
Os sobreviventes descobrem que podem matar pessoas de forma seletiva, e que podem configurá-la para matar apenas pessoas com as características genéticas dos asiáticos.
Outra características da tecnologia envolvem a geração de campos de força, controle de gravidade e até transmutação de elementos. Outros efeitos é a capacidade de matar apenas bactérias ou vírus específicos, sendo que um pesquisador infecta-se com Antraz apenas para provar que a terapia funciona.
Aproveitando-se da certa liberdade religiosa oferecida pelos escravizadores, eles iniciam uma nova religião, onde os sacerdotes utilizam um cetro com um transmissor capaz de realizar curas, gerar campos de força pessoais e, é claro, matar asiáticos.

Considerações sobre o livro

É evidente o motivo que levou Campbell à abandonar o projeto de All, e passar a tarefa para Heinlein. Mesmo que este tenha tentado diminuir os problemas de racismo e a falta de realismo científico, ele não foi bem sucedido, sendo que apesar da estória ser interessante, ela pode ser difícil de ser tolerada.
A forma como os asiáticos são tratados, causa estranheza ao leitor, e os critérios genéticos utilizados não são fáceis de se engolir.
Os americanos do livro respondem ao racismo dos conquistadores utilizando termos pejorativos como flat face “cara achatada”, macacos amarelos ou slanty (termo pejorativo relacionado ao olhos dos asiático).
Cabe aqui lembrar que o livro foi escrito no mesmo ano do ataque à Pearl Harbor pelos japoneses, então os ânimos estavam inflamados nos EUA.
É um bom livro, retrato de uma época conturbada, que deve ser lido considerando o momento em que foi escrito e desconsiderando as falhas e exageros nas questões científicas.

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