The Forever War (Guerra Sem Fim) – Joe Haldeman

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The Forever War (Guerra sem Fim) é um romance de ficção científica militar do autor americano Joe Haldeman, escrito em 1974 e vencedor dos prêmios Hugo e Locus em 1976, além do Nebula de 1975. Existem edições em língua portuguesa, que podem ser encontradas com relativa facilidade em sebos, mas decidi ler a edição original em inglês para não ter que investir na compra. Recomendo a leitura desse livro, mas antes de escrever o por quê, vamos à uma introdução para quem não conhece a estória.

Introdução ao Roteiro

O livro conta a estória de William Mandella, um estudante de física que integra uma força de elite da Força Exploratória das Nações Unidas, que foi montada para iniciar uma guerra contra os Taurans, uma espécie alienígena que aparentemente atacou e destruiu naves de colonizadores humanos. A tropa da UNEF segue em uma missão de reconhecimento e revanche.
Os recrutas tem QI acima de 150, com educação acima da média, saudáveis e em boa forma. O treinamento é cruel: inicialmente no Missouri e mais tarde em planeta fictício localizado além da órbita de Plutão, chamado de Charon. O treinamento é rigoroso ao ponto de vários recrutas morrerem antes mesmo de enfrentrar o inimigo, devido ao ambiente extremo e o uso de armas reais.
As viagens espaciais acontecem graças ao uso de collapsars, que permitem o salto de distâncias gigantescas entre as estrelas, mas mesmos assim, as viagens entre os collapsars devem ser feitas à velocidades próximas à da luz, que causam efeitos de dilatação temporal massivos.
A primeira ação da UNEF acontece em Epsilon Aurigae, e graças a uma sugestão pós-hipnótica os recrutas realizam um massacre brutal contra um inimigo  que não oferece resistência. Essa primeira expedição iniciou-se em 1997, durou apenas dois anos na perspectiva de Mandella, mas devido à dilatação temporal devido às viagens entre os collapsares, na Terra décadas se passaram. No retorno à Terra os soldados experimentam o ‘Choque do Futuro’ (para mais informações sobre o fenômeno psicológico, veja o trabalho de Alvin Toffler, especialmente o livro A Terceira Onda). Durante a ausência de Mandella muita coisa mudou na Terra: superpopulação, racionamento de alimentos, o homossexualismo é estimulado como forma de controle de natalidade (mas Mandella logo considera que isso é apenas uma desculpa, pois existem métodos mais simples), e a violência urbana chegou ao ponto de se tornar quase impossível sair de casa desarmado ou sem um guarda costas.
Os soldados que retornam para esse mundo do futuro dificilmente conseguem se adaptar e acabam voltando a se apresentar para novas missões.
Como resultado das viagens, Mandella acaba tornando-se o veterano mais velho da guerra, chegando a acompanhá-la até o final, centenas de anos no futuro.

Impressões sobre o livro

Uma das vantagens de ler os vencedores do prêmio Hugo na ordem cronológica é perceber como o tempo em que foram escritos influencia as estórias, mesmo que essas se passem vários anos no futuro. E Guerra Sem Fim é um excelente exemplo disso. Escrito em 1974, ele mostra muito da convulsão social que os Estados Unidos enfrentou nos últimos 15 ou 16 anos desde que Heinlein escreveu Tropas Estelares.
Como muitos outros, Haldeman teve que alistar-se contra a vontade, foi removido da sociedade em que vivia e atirado em meio a uma guerra absurda no Vietnam, ferido em batalha foi devolvido à uma sociedade que não era mais a mesma que ele tinha deixado.
Guerra Sem Fim foi uma tentativa muito bem sucedida de expressar o que a experiência da guerra significou para Haldeman.
Mandella, assim como Haldeman, não gosta de ser um soldado, mas dificilmente podemos dizer que trata-se de um livro anti-guerra, que se opõe ao Tropas Estelares – isso seria uma simplificação exagerada. Ambos os livros tem suas qualidades e semelhanças, como no início onde ambos mostram a difícil preparação dos soldados em campos de treinamentos brutais, na forma como apresentam os equipamentos militares futuristas e na forma como exploram alternativas sexuais.
Mandella, numa exibição de homofobia, é incapaz de aceitar o fato de um parente próximo ter se tornado homossexual, e acaba voltando ao combate. Após algumas viagens à velocidades relativísticas ele acaba alguns séculos no futuro, e dessa vez tem que lidar com o fato de que o homossexualismo agora é regra, e não exceção. Certamente o autor pretendia discutir no livro o banimento do homossexualismo no militarismo, que aconteceu nos anos 70. Mas ao mesmo tempo, o autor retrata os homens desse futuro um tanto efeminados, até mesmo usando maquiagem e roupas caricatas – em 2002 o autor disse que não teria feito isso se o livro fosse escrito nessa época.
De qualquer forma, trata-se de um livro muito importante para tentarmos entender melhor o que a guerra do Vietnam significou para a sociedade americana, e para o mundo.

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6 comentários sobre “The Forever War (Guerra Sem Fim) – Joe Haldeman

  1. Pingback: The Forever War (Guerra Sem Fim) - Joe Haldeman...

  2. Eu acredito que o Joe Haldeman foi muito feliz ao consegui descrever o choque do futuro que o Mandella e os outros veteranos têm depois de voltarem das missões. Gostei bastante do livro, mas prefiro o Tropas Estelares. Nada que desmereça Guerra sem fim. Sempre acompanho suas publicações e você está de parabéns pelo conteúdo. É muito difícil encontrar blogs voltados para a ficção-científica. Abraços.

  3. Pingback: Projeto Maratona do Prêmio Hugo | Leituras Paralelas

    • Olá Leonardo,
      Muito obrigado pelo comentário.
      Na verdade Charon, ou Caronte foi descoberto apenas 2 anos após o livro ter sido escrito, portanto Charon no livro é fictício, apesar dessa feliz coincidência!
      Vou verificar outras informações comprobatórias e atualizar o post. De qualquer forma obrigado pela sua contribuição.

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