Cyteen – C. J. Cherryh

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Ficha Técnica do Livro

  1. Título: Cyteen
  2. Nome do autor: C. J. Cherryh
  3. Nome da editora: Aspect (Reedição 1995)
  4. Data e local de publicação: EUA, 1988;
  5. Número de páginas: 696 páginas;
  6. Gênero: Ficção Científica;
  7. Nota: ★★ (2)

Cyteen é um romance de ficção científica escrito por C. J. Cherryh em 1988 e vencedor dos prêmios Hugo e Locus de 1989. A história situa-se no universo Aliança-União criado por Cherryh que é recorrente em seus livros de ficção científica. Cyteen foi fundado em 2201 por um grupo de cientistas e engenheiros dissidentes, incluindo o planeta Cyteen e as estações espaciais interiores e exteriores ao planeta. A independência de Cyteen veio em 2300, e agora serve como a capital da União.
A atmosfera do planeta é moderadamente tóxica aos seres humanos, que precisam viver em cidades semi-encapsuladas, conhecidas como enclaves ou cidades-estado.
Em face à necessidade de expansão das colônias da União, uma instituição científica conhecida como Reseune centraliza toda pesquisa e desenvolvimento de clonagem humana, recurso que é deplorado pela Terra e a Aliança, principais rivais da União.
Em Reseune são criados os humanos incubados in vitro “azi”, e os “CIT”. A principal diferença entre os azi e os CIT é que os azi são educados desde o nascimento via “fita”, uma combinação controlada por computadores de técnicas de condicionamento e treinamento por biofeedback. A técnica também é utilizada nos CIT, mas em escala muito menor, para educação, mas normalmente apenas depois dos seis anos de idade. O resultado é uma profunda diferença entre esses dois tipos de clones. Enquanto os CIT tem melhores capacidades de lidar com situações inesperadas e incertas, os azi são capazes de melhor concentração em problemas específicos. Como efeito colateral da educação por “fitas” os azi tendem a serem emocionalmente instáveis.

Análise de Cyteen

É perfeitamente aceitável escrever lixo – desde que você edite ele brilhantemente.

C. J. Cherryh

Eu venho lendo os vencedores do Prêmio Hugo em sequência, conforme é possível acompanhar através deste post. A experiência é recompensadora, mas nem sempre é fácil, pois as vezes encontramos livros que não foram traduzidos para o português, que são grandes demais (é o caso de Cyteen, com quase 700 páginas), ou até mesmo possuem uma linguagem e estrutura complicada demais (como Stand in Zanzibar).
Assim como o livro anterior de Cherryh que também recebeu o Hugo, Downbelow Station, também não recomendo a leitura deste livro. Não que o livro seja ruim, apenas considero que possui alguns problemas que desestimulam até os leitores mais fiéis ao gênero:

  1. O livro é longo demais. Isso não seria um problema se estivéssemos diante de um livro com um estilo mais rico e envolvente como os livros de Gene Wolfe, que merecem a leitura no idioma original, e não assustam pelo tamanho. Mas Cyteen realmente não precisava ser tão grande, se ele fosse enxugado pela metade ainda sobraria muito espaço para o desenvolvimento da história.
  2. Existem muitos personagens. Contei mais de vinte personagens, com uma alternância constante entre os protagonistas, o que é cansativo e causa perda de foco na leitura. Quase todos os personagens são tão secundários que é fácil perdê-los no background da história, e acabamos por considerá-los dispensáveis.
  3. Muita política. Não tenho nada contra política, acredito que o tema faz parte das nossas vidas e é muito importante, mas a autora gasta tantas páginas para tratar da aprovação de alguma projeto de lei, e perde-se de tal forma nos meandros políticos entre a União e a Aliança, que as vezes até esquecemos que estamos lendo um livro sobre clonagem. São esquemas e agendas políticas em excesso, e como praticamente todos personagens estão envolvidos até o pescoço na política é fácil perder-se em meio aos esquemas políticos.
  4. Muita falação, pouca ação. Páginas e mais páginas de discussões políticas e quase nenhuma ação.
  5. Um assassinato sem explicação. Apesar do livro ser descrito na contra capa como um “livro de mistério de assassinato”, o mistério sobre o assassinato de Ari é mal explicado, e fica a dúvida se tratou-se de um acidente ou suicídio. Apenas na sequência deste livro, Cyteen Regenesis (2009) Cherryh esclarece o mistério, mas acredito que depois de tanto tempo ninguém mais se importa com isso.

Apesar dos problemas o livro é escrito com competência, e com diálogos interessantes, apesar de cansativos. Ele é muito realista ao explorar problemas atuais na nossa sociedade, como questões éticas envolvendo clonagem e aperfeiçoamentos genéticos artificiais. Mas definitivamente não é uma leitura recomendável, mesmo para quem possui algum conhecimento do idioma inglês.
O livro poderia seguir o caminho distópico de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, mas Cherryh preocupou-se muito mais com diálogos políticos cansativos do que com as questões éticas e morais. É uma pena.

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Downbelow Station – C. J. Cherryh

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Ficha Técnica do Livro:

  1. Título: Downbelow Station (Company Wars #1)
  2. Nome do autor: C. J. Cherryh
  3. Tradutor: Não foi traduzido para o português
  4. Nome da editora: DAW Books;
  5. Lugar e data da publicação: EUA, 1982;
  6. Número de páginas: 526 páginas;
  7. Gênero: Ficção Científica Militar;
  8. Nota: ★★

Downbelow Station é um livro sobre guerra. O fato da guerra utilizar espaçonaves e raios lasers não tem qualquer importância. É um livro sobre nacionalismo, ambições pessoais e controle social. De certa forma é uma metáfora sobre a guerra fria, mas não é uma metáfora muito bem feita. Os personagens são soldados entediados, burocratas ambiciosos, aristocratas mimados, mercenários e fugitivos.
O livro envereda-se no território da Space Opera: uma guerra galática entre uma frota esfarrapada de obstinados contra as forças leais à Terra. Apesar de Cherryh partir de uma proposta interessante — mostrar como a humanidade se comporta em uma guerra— ela pede que o leitor tire suas próprias conclusões partindo de um universo estranho em que não vivemos, num futuro distante e sem dar nenhuma dica de como uma espécie alienígena se comportaria e tudo isso  é no mínimo frustante e deixa o leitor perdido.
O estilo de Cherryh é frustrante: muito sério e árido. Ela não facilitará em nada para você: não espere explicações, concessões para suavizar a leitura, nenhum truque ou piada para descontrair. Ela simplesmente coloca seus personagens em situações difíceis e deixa você assistindo enquanto tentam lidar com isso. E fim de conversa.
Apesar dela mostrar a política das facções e suas táticas de forma muito bem elaborada e competente, ela o faz de forma fria e sem graça.
Cada personagem de Downbelow Station é apresentado com um perfil psicológico muito estreito. Em nenhum momento eles irão mostrar ironia, humor ou conflitos morais, e isso para mim é imperdoável! Humor é o mecanismo clássico para se lidar com o stress, e acho difícil aceitar que essa qualidade do ser humano viria a se perder no futuro.
Como explicar que as tripulações das espaçonaves sejam compostas de autômatos leais incapazes de fazer uma simples brincadeira ou piada?
Quando você pretende contar uma história parte do sucesso dela reside na tensão dramática, em descrever como as coisas irão se resolver  e quais princípios irão prevalecer. A vida na estação de Pell é monótona, sem graça. Durante a guerra a vida fica apenas fica tensa. Não existe cores ou sabores que nos façam aceitar que a vale a pena salvar o estilo de vida dos rebeldes. Por quê o estilo de vida dos rebeldes está certo e a o da União errado? Por quê não o contrário? Tudo está em tons de cinza no livro de Cherryh,  mas infelizmente não são os tons de cinza daquele livrinho porno soft de E. L. James!

É correto classificar Downbelow Station como uma Space Opera? Não, pois falta romance, ação, um universo com vida e principalmente emoção! Muitos consideram esse livro genial, e dizem que as críticas à sua aridez são feitas por pessoas que não conseguiram entender a profundidade da história ou não foram inteligentes o suficiente para apreciar o livro. Eu digo que isso é uma grande bobagem, o livro é sem graça, monótono, frio e superficial.

Se você já leu todos os outros clássicos da ficção científica militar de Robert A. Heinlein ou Joe Haldeman então talvez possa tirar algum proveito desse livro, se ainda não leu não perca seu tempo, existe muita coisa melhor.