Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Fahrenheit-451

Fahrenheit 451

Ficha Técnica do Livro

  1. Título: Fahrenheit 451
  2. Nome do autor: Ray Bradbury
  3. Tradutor: Knipel, Cid
  4. Nome da editora: Biblioteca Azul
  5. Lugar e data da publicação: Brasil, 2012
  6. Número de páginas: 215
  7. Primeira publicação: 1953
  8. Gênero: Ficção Científica Soft
  9. Nota: ★★

Fahrenheit 451 é um clássico da ficção científica soft, gênero em que a trama e o tema focam mais no desenvolvimento psicológico dos personagens, seus relacionamentos e sentimentos enquanto detalhes tecnológicos ou científicos ficam em segundo plano ou até mesmo são completamente ignorados.
Bradbury escreveu esse livro no início da guerra fria, o que talvez explique seu profundo descontentamento com o caminho que a sociedade americana vinha seguindo e nos apresentando um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico foi suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como “bombeiro” mas ao contrário dos bombeiros que conhecemos, os bombeiros de sua distopia são os responsáveis por queimar livros (e até as pessoas que os possuem).

O título Fahrenheit 451 sugere que essa é a temperatura em que o papel entraria em combustão. Muitos consideram essa informação incorreta, mas ao verificar as temperaturas de auto ignição podemos notar que o autor utilizou quase exatamente a temperatura média para a auto ignição do papel:

(424–475)/2 °F = 449,50 °F

Alguns interpretam o livro como uma crítica à censura, outros como um retrato de uma sociedade distópica, controlada por um estado totalitário. Eu considero o livro  muito mais uma crítica à sociedade moderna, à TV e a cultura de massa, do que a um estado totalitário, o que foi confirmado pelo próprio autor várias vezes.  Não se trata do estado proibindo os livros e controlando a vida das pessoas, como em 1984 de George Orwell, mas muito mais de uma sociedade onde cada indivíduo desistiu de sua liberdade e exerce o controle sobre si mesmo.
Talvez a crítica de Bradbury à TV e a sua influência estupidificante seja um pouco exagerada, pois todas sociedades sempre buscaram entretenimentos estúpidos. Posso citar rapidamente as arenas de lutas, festas populares onde é imperativo se entorpecer, e as peças de teatro ou até mais recentemente os filmes, novelas e séries de TV que normalmente são obras pouco edificantes.
Bradbury não percebeu que a leitura sempre foi um nicho frequentado  por minorias, não é um fenômeno moderno o fato das pessoas lerem pouco. Na tabela abaixo compilei os dados da pesquisa do NOP World Culture Score:

Horas lidas2

Pela tabela acima podemos perceber, por exemplo, que os brasileiros gastam 5,2 horas semanais com leitura, 18,4 com TV, 10,5 com Internet e 17,2 com rádio. Mas esse problema é global, podemos também perceber que nenhum país no mundo lê mais do que assiste TV.
Mesmo considerando essa baixa média de leitura global, atualmente existem mais livros publicados do que a soma de tudo já foi feito desde que as primeiras civilizações começaram a utilizar a escrita. Hoje considera-se que existam mais de 130 milhões de livros publicados, mesmo considerando a lei de Sturgeon que classifica como lixo 90% de tudo que é publicado, ainda assim teríamos mais de 13 milhões de livros que valeriam a pena ser lidos!
Bradbury sugere que a leitura seria completamente abolida devido à TV, o que não aconteceu. Até mesmo a internet mostrou-se um meio que facilita enormemente o acesso a livros, inclusive possibilitando a leitura e download de clássicos de forma gratuita.
Bradbury considera nesse livro a TV como uma forma de cativar mentes simplórias e destruir interações sociais, o que é uma simplificação grosseira.
Eu considero as várias formas de difusão de cultura (livros, cinema, TV, rádio e agora internet) como meios complementares de distribuição. Uma pessoa que lê mais não é necessariamente mais desenvolvida ou inteligente que uma assiste mais TV. A comparação Coréia x Brasil é um excelente exemplo disso: mesmo considerando que os brasileiros leem mais que os coreanos, somos enormemente mais atrasados e nossa educação é muito inferior em relação a deles. Ou seja, leitura não é garantia de desenvolvimento cultural e educacional. Uma pessoa pode passar a vida lendo livros como os da Suzane Collins ou da série Sabrina que seria tão culta quanto outra que passou a vida assistindo novelas na TV, é um erro culparmos a mídia pelo valor de uma mensagem. O que nos torna mais informados ou mais educados não é o ato de ler em si, mas sim o quê estamos lendo e como interpretamos isso.
De qualquer forma Fahrenheit 451 é um excelente livro, que nos faz questionar a cultura de massa e o consumismo, recomendo a leitura!

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5 comentários sobre “Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

  1. Pingback: Fahrenheit 451 - Ray Bradbury | Ficç&ati...

  2. Acredito que Bradbury também tentou mostrar que existem outras boas formas de difusão de cultura além dos livros, como a transmissão de informações da forma oral, como ocorre no livro.

  3. Muito bom a iniciativa de colocar a sua nota para os livros!
    Sempre gostei de suas opiniões e eu o uso para selecionar os livros que leio. Com as notas agora dá para se ter uma ideia melhor do seu feeling para os livros e selecioná-los melhor para leitura.

    • Obrigado Marcos!
      Estou me esforçando ao máximo para o sistema de notas ficar o mais justo possível.
      Procuro avaliar os seguintes critérios: História (enredo), Personagens, Narrativa (estilo) e tradução (quando cabível).
      Mesmo assim, é uma avaliação subjetiva, portanto muitos vão discordar dela.
      Por exemplo, dei nota 1 para Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, e provavelmente a esmagadora maioria daria uma nota 5 para ele! Isso porque no meu sistema de avaliação considerei: História (ruim), Personagens (ruins), Narrativa (estilo ruim). Na minha análise deixei claro porque não gostei de nada no livro.
      De qualquer forma, obrigado pela participação!

  4. Pingback: [RESENHA] Fahrenheit 451 – Ray Bradbury | Livros.ws

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