Metropolis – Thea Von Harbou

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Metropolis (O livro) talvez seja o maior clássico não celebrado da ficção científica. Apesar de todos reconhecerem a importância do filme de Fritz Lang, de 1927, poucos sabem que o roteiro do filme foi escrito em conjunto com sua esposa, Thea Von Harbou, que era uma escritora famosa da República Alemã que precedeu a Alemanha Nazista, e que esse roteiro originou-se de um romance escrito por Harbou com único propósito de ser adaptado futuramente para o cinema. O romance apoiou-se fortemente na campanha de marketing do filme, e foi serializado para ser publicado no jornal Illustriertes Blatt em conjunto com o lançamento do filme. Harbou e Lang trabalharam juntos em um roteiro derivado desse romance, e vários pontos importantes e elementos temáticos – incluindo a maioria das referências à magia e ocultismo presentes no romance – foram descartados.
Recentemente, em julho de 2008, foi descoberta uma versão do filme com vários minutos que tinham sido cortados, e após muita restauração foi lançada uma nova versão do filme em fevereiro de 2010.
Mas o livro permaneceu na obscuridade, praticamente abandonado internacionalmente, e completamente ignorado no Brasil.
Acredito que o envolvimento de Thea Von Harbou com o nazismo não só acabou com o casamento dela com Fritz Lang – que recusou-se a fazer propaganda para o nazismo -,  como acabou lançando a escritora no limbo editorial, do qual não saiu ainda hoje. Quando a guerra terminou, Thea foi presa e depois condenada a trabalhos forçados na limpeza  de escombros.
Ele nunca tinha sido traduzido para o português, então aceitei fazer a tradução a partir da versão em inglês, a pedido do Exilado, que possui um excelente blog de divulgação de livros.
Apesar do livro estar em domínio público, não tenho interesse comercial no trabalho, espero apenas ajudar fãs de ficção que permanecem ignorados pelas editoras nacionais.

Segue abaixo a tradução completa, com as geniais ilustrações de M.W. Kaluta, no estilo art déco, veja mais informações no prefácio que escrevi no livro.

Metropolis – Thea von Harbou

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13 comentários sobre “Metropolis – Thea Von Harbou

  1. Pingback: Krull – Alan Dean Foster | Leituras Paralelas

  2. Boa Noite Alessandro! Tudo bem? Você pode me tirar uma dúvida? Vc saberia me dizer em que ou em quem a escritora Thea Von Harbou se inspirou para escrever esse romance? É que preciso fazer um trabalho de faculdade e a professora pediu essa informação que por sinal está bem dificil de encontrar. Desde já agradeço.

    • Boa noite Edir! Tudo bem, e com você?
      Em primeiro lugar agradeço o interesse pela minha opinião, e espero que minha tradução tenha sido útil para você!
      Bem, vamos lá…
      Thea Von Harbou certamente não pretendeu mostrar um futuro distópico onde uma classe oprimida deveria lutar para conseguir com que todos fossem iguais.
      A própria frase que define o filme (O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração) indica que ela não era contrária à existência de classes sociais bem distintas, mas apenas que acredita que as classes não deveriam estar muito distantes, que deveria existir um mediador para facilitar o convívio entre elas.
      Portanto não devemos confundir o filme/livro com as ideias revolucionárias sonhadas pelo comunismo, mas sim como uma tentativa da autora e de Fritz Lang em mostrar que a classe dominante (a cabeça) não deve distanciar-se muito da classe trabalhadora (as mãos) , e que alguém (ou alguma instituição, como a justiça) deve ser o mediador, e assim manter o corpo unido.
      Portanto o filme é um exercício de capitalismo e não crítica à existência de classes, mas apenas sugere que a classe dominante deve tratar com a classe trabalhadora de forma justa e de forma humana.

      Quanto ao que deve ter influenciado eles, certamente deve ter sido a peça de ficção científica R. U. R. do checo Karel Capek, de 1920. Essa peça foi o primeiro trabalho a mostrar robôs. Veja na Wikipedia o artigo sobre R. U. R..

  3. Valeu pela tradução amigo, tenho 3 versões do filme em DVDs e Blu-Ray, mas não havia encontrado o livro em português, você ajudou muito, continue o bom trabalho.

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