Orador dos Mortos – Orson Scott Card

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Orador dos Mortos (Speaker for the Dead) é um romance de ficção científica escrito por Orson Scott Card, publicado em 1986, e sequência do livro O Jogo do Exterminador (Ender’s Game). Assim como O Jogo do Exterminador, este livro também ganhou tanto os prêmios Nebula de 1986 como o Hugo de 1987.

Introdução ao roteiro (ALERTA DE SPOILERS)

No encerramento de O Jogo do Exterminador, após Ender destruir mundo natal dos Insecta, uma espécie alienígena avançada que entrou em conflito com a humanidade, ele descobre que na verdade os Insecta não pretendiam ter atacado os seres humanos, eles apenas não compreendiam nossa espécie e depois se arrependeram do ataque inicial. Ender arrepende-se do que fez, e revela estar transportando uma carga preciosas: a última Rainha da Colmeia. Ele pretende encontrar um novo mundo para salvar o que restou da espécie, e suas viagens o levam até Lusitânia, uma colônia de brasileiros estabelecida em um planeta que descobre-se possuir a única espécie inteligente além dos Insecta, chamada de pequeninos ou (porquinhos).
Orson Scott Card viveu alguns anos no interior do Brasil, algum tempo na cidade de Araçatuba, onde também vivi. Nesse livro ele faz uso do seu conhecimento do Brasil e da nossa língua, tanto nos nomes, apelidos como cultura e religião dos colonos.
Agora Ender não é mais o menino prodígio e gênio militar. Ele arrependeu-se de ter causado o Xenocídio dos Insecta e tornou-se uma espécie de missionário, conhecido como Orador dos Mortos, inicialmente com o objetivo de redimir os Insecta e contar a verdadeira estória deles. Ele segue viajando entre as 100 colônias (que surgiram quando a humanidade começou a colonizar os planetas que antes eram colônias Insecta), dessa vez Orando pelos mortos humanos, sendo convocado quando alguém precisa descobrir a verdade sobre alguém falecido.
O autor é muito coerente na tecnologia de viagens espaciais, e explora bem os efeitos relativísticos de viagens com velocidade próximas a da luz. Como Ender não ficou nunca mais de 6 meses em cada planeta em sua peregrinação, ele agora tem quase três mil anos de idade, mas envelheceu apenas até os 35 anos.
Lusitânia tem uma ecologia muito peculiar, com pouquíssimas espécies, e o mistério tem algo a ver com uma estranha doença chamada Descolada.
As espécies sobreviventes desenvolveram ciclos de vida radicais, com metamorfoses drásticas: espécies parecidas com cabras, mas que em uma fase da vida são parecidas com gramíneas; uma espécie de pássaro que em outra fase é uma videira; e os porquinhos que no final da vida transformam-se em árvores.
Um assassinato de um xenobiólogo pelos porquinhos acaba levando Ender até Lusitânia, onde ele acredita ter uma chance de encontrar um lugar propício para libertar a última Rainha da Colmeia, e ao mesmo tempo ajudar os colonos a resolver o mistério e aprenderem a conviver com a espécie dos porquinhos.

Considerações sobre o livro

Neste livro Orson Scott Card foi muito menos dinâmico. No primeiro livro o foco era o treinamento intenso e cruel das crianças que eram transformadas em máquinas de guerra, e no combate contra os Insecta.
Já em Orador dos Mortos, ele focou muito na estranha biologia de Lusitânia, na religião dos colonos (catolicismo) e na tentativa de redenção de Ender.
Mas mesmo assim ele conseguiu escrever um livro muito interessante, e curioso para nós brasileiros, devido aos nomes e referências ao Brasil.
Sem dúvida leitura obrigatória para quem leu O Jogo do Exterminador!

 

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6 comentários sobre “Orador dos Mortos – Orson Scott Card

  1. Pulei para o fim com medo de ganhar um spoiler – me parece que você conta bastante sobre o primeiro livro da série, que pretendo ler. De qualquer forma, me pareceu interessante o enredo e todo essas ligações com portugal, catolicismo e brasil. Porque o autor levantou esses pontos?

    • Opa! Desculpe pelos spoilers! Vou editar e colocar um alerta!
      Acho que Card fez uma homenagem ao Brasil, e à cultura brasileira, pois viveu alguns anos no interior de São Paulo em 1973… Ele era mórmon missionário, daqueles que vão de porta em porta pregando, mas de forma menos irritante que os Testemunhas de Jeová! Acredito que o livro é um tanto autobiográfico, pois Ender também opera como um missionário: o Orador dos Mortos vai de planeta em planeta revelando a verdade sobre os mortos.

      • O Orador dos mortos me parece mais interessante do que o ender’s game. Você acha isso também? Eu conseguiria ler este segundo sem ter lido o primeiro quer dizer, lendo uma resenha e tudo mais? O primeiro não me atraiu tanto assim.

      • Sim, é possível ler direto o segundo livro, mas acho que você perderá bastante… O primeiro livro é focado na escola de guerra e no treinamento de Ender para tornar-se o comandante no ataque aos insectas, mas é ótimo! O segundo é menos dinâmico, cheio de questões metafísicas, teológicas, biológicas e coisas do tipo.

  2. Pingback: Projeto Maratona do Prêmio Hugo | Leituras Paralelas

  3. Olá!

    Considero muito relevantes suas resenhas, ou opiniões. Seu ‘blog’ (site?) à esta altura, têm muita importância. Menos por sua opinião, mais por alguma espécie de precursor. ‘Scouts’, ‘ batedores, em bom português. É o que penso que você representa. E mais ainda por você ‘enfiar’ curiosidade infinita em seus leitores.

    Falo, óbvio, por própria constatação. Li, e eu vou dizer, ao menos uns 30% dos livros que você leu. Parabéns! Alguém deve sempre estar atento.

    Neste caso, o do ‘ Ender’, há um pedido. Que você análise (e eu adoro gente que analisa) um pouco mais.

    Nem tanto pelo ‘Enders Game’ (adquiri exemplar impresso lá por uns 1993), que é a extrema violência para adquirir conhecimento. No âmbito da estória, podia ser nada mais nada menos que mera necessidade.

    O ‘Orador dos Mortos’ define melhor. Ou simplesmente, não define. Mas, ali, para mim, a questão é simples: existe vida após a Morte?

    Acredito que o ‘enigma’ da solução pode inspirar seus posts.

    E paro paro por aqui…

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