A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

Correa-Martians_vs._Thunder_ChildA Guerra dos Mundos é um romance de ficção científica publicado pela primeira vez em 1898. É uma aventura narrada por um protagonista anônimo que testemunha a invasão da terra por marcianos. Talvez seja a primeira história descrevendo um conflito entre uma espécie alienígena e a humanidade, sendo considerada um ícone do gênero.
O estilo apresentado é o de relato fatual de uma invasão, no ponto de vista de um escritor de artigos filosóficos, com características semelhantes ao Dr Kemp de O Homem Invisível, escrito antes por H. G. Wells em 1897.
O leitor descobre muito pouco sobre a vida do narrador, ou de qualquer outro personagem, e até mesmo nenhum dos nomes dos personagens principais é mencionado.
Wells era um professor de ciências durante a última metade dos anos 1880, e um dos seus professores foi T. H. Huxley, um famoso defensor do Darwinismo. O fascínio de Wells por ciência é bem demonstrado logo no primeiro capítulo, quando o narrador observa Marte pelo telescópio, e quando Wells sugere a imagem dos superiores marcianos observando as atividades humanas, como nós observaríamos pequenos micróbios através do microscópio.
Ironicamente, a vida microscópica terrena que é a responsável pela morte dos marcianos
O livro segue uma tendência da época – a literatura de invasão –  refletindo o sentimento de ansiedade da época relacionado à insegurança nas relações internacionais entre potências europeias que acabaram culminando na Primeira Grande Guerra. No entanto A Guerra dos Mundos transcende o fascínio típico da Literatura de Invasão, que lida com politica europeia, tecnologia militar e disputas internacionais, e inova ao introduzir um adversário alienígena.
Os marcianos viajam para Terra em cilindros, através de uma espécie de gigantesco canhão espacial na superfície de Marte. Essa era uma representação comum no final do século XIX, como usado anteriormente por Jules Verne em Da Terra à Lua, mas o entendimento científico um pouco mais moderno mostrou que esse método é totalmente inviável, devido à força de explosão necessária que mataria qualquer tripulante instantaneamente. Mesmo assim, livros como esses inspiraram gerações de cientistas, e o mais importante foi Robert H. Goddard, que leu aos 16 anos A Guerra dos Mundos e ficou tão fascinado que dedicou sua vida à invenção dos foguetes, o que culminou com o programa Apollo que levou o homem à Lua.
Wells utiliza o conceito de guerra sem limites, com o uso de raios da morte (uma espécie de canhão de calor), Fumo Negro (uma arma química gasosa, dispersa por foguetes) e Trepadeira Vermelha (outra arma biológica, que cresce exponencialmente subjugando a flora nativa). Os marcianos mostram empenho em eliminar o maior número de humanos, utilizando táticas de terror para acabar com a capacidade de resistência.
O livro também é visionário ao mostrar as táticas utilizadas pelos marcianos, como máquinas voadoras, trípodes, e armas de destruição em massa, e fuga em massa de refugiados, o que foi precisamente reproduzido na Segunda Guerra Mundial, com bombardeios, tanques e extermínio de populações.
Considero um dos livros mais importantes do século XIX,  percursor de um gênero que até hoje faz sucesso, ainda influenciando tanto a literatura como o cinema.
Recentemente a história foi adaptada para o cinema de forma muito competente no filme Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, com Tom Cruise no papel principal. Spielberg foi muito fiel ao original, mesmo adaptando ao gosto moderno da audiência, e várias cenas e descrições dos alienígenas foram fielmente mostradas.

 

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2 comentários sobre “A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

  1. Excelente artigo. Breve, conciso e muito informativo. Até mesmo para quem, como eu, se considera um especialista no tema.

    Só uma observação. De fato lançar um módulo espacial tripulado por um canhão, como ocorre na obra de Júlio Verne, é por completo impossível. Mas na obra de Wells temos que notar primeiro que a gravidade de Marte é menos da metade da gravidade terrestre, e o processo de lançamento mariciano é vagamente descrito. Não sabemos se realmente é um mero canhão convencional.

    No mais, fico feliz de encontrar mais um admirador de H.G.Wells.

    • Obrigado Marcus!
      Realmente não é de todo impossível o lançamento das cápsulas dos marcianos. Talvez um sistema híbrido, com o uso de canhão com um trecho com uma aceleração forte mas inferior ao necessário para matar os ocupantes, depois um sistema de propulsão que funciona como os estágios de um foguete.

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