Os Pilares da Criação – Terry Goodkind

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Os Pilares da Criação (The Pillars of Creation) é o sétimo livro da série de Terry Goodkind, A Espada da Verdade.
É o primeiro livro da série que não mostra Richard Rahl como personagem principal, apesar dele aparecer na estória exatamente faltando 10% para o fim do livro.
Não custa lembrar que apenas o primeiro livro foi publicado no Brasil, para todos os demais existem em português apenas em traduções não oficiais.

Introdução ao roteiro

O livro apresenta vários personagens novos, como os meio irmãos de Richard, Jennsen e Oba. Jennsen é uma jovem garota que passou a vida toda fugindo dos assassinos enviados por Lord Rahl, que ingenuamente se deixa levar pelas mentiras de Sebastian, um estrategista do Imperador Jagang, enviado para convencê-la a matar Richard.
Oba é um homem perturbado, um psicopata que ao descobrir que é filho de Darken Rahl fica convencido que é indestrutível e acredita que deve ser por direito o novo Lord Rahl.
Ambos ouvem vozes misteriosas em suas mentes que os comandam o tempo todo à Entregar sua carne, sua vontade. Jennsen tenta resistir à isso, mas Oba se entrega com consequências assustadoras.
Jennsen descobre que Os Pilares da Criação além de ser um lugar no Mundo Antigo, em uma terra desolada, também é como alguns dos descendentes da linhagem Rahl são conhecidos, por não possuirem nada do dom da magia, sendo conhecidos como ¨buracos no mundo¨.

Considerações pessoais

O livro é interessante por permitir que vejamos o mundo criado por Terry Goodkind através de outro personagem, menos importante e sem tendências definidas.
Apesar dos personagens principais da saga praticamente não aparecerem na estória, Terry Goodkind consegue criar personagens interessantes desta vez, ao contrário do livro anterior Alma do Fogo, que já critiquei aqui.
Cabe aqui algumas considerações sobre o trabalho de Terry Goodkind:
Ele é considerado um integrante da ¨horda¨ de novos escritores sem prévia experiência em ficção capazes de escrever uma aventura épica após outra, mostrando-se um verdadeiro sucesso comercial. A série A Espada da Verdade tem sérios problemas de inconsistência, e os personagens mostram falta de profundidade e moral confusa, ao realizarem atos tão hediondos quanto os vilões declarados, as vezes até mesmo sem justificativa.
A série também apresenta nuances sexuais com nítida perversidade sadomasoquista, longamente descritas com detalhes que podem perturbar a maioria das pessoas.
Algumas vezes os livros chegam a ser uma leitura depressiva, com evidente cinismo, e um o mal é mostrado de forma perturbadora, inspirado em personagens reais como Hitler e Jim Jones, misturados com monstros ficcionais como Sauron do universo Tolkieniano.
Os últimos 10% do livro são muito confusos, e recheados de contradições e inconsistências na narrativa.
Como explicar como o grande gênio do mal, o Imperado Jagang, deixa-se levar de armadilha em armadilha em Ayndindril?
Afinal de contas porque Os Pilares da Criação também referem-se à aquele lugar no deserto? Porque todos vão até lá no final? Como todos chegam juntos do outro lado do mundo justo no fim?
Isso para não falar de outras falhas que não falo para não estragar a surpresa.
Realmente Terry Goodkind criou um universo grandioso, muito além de sua competência como escritor.
É uma pena mas os últimos 10% da estória estragaram o livro!

A Sétima Regra do Mago

Assim como os seis livros anteriores, este também apresenta uma nova Regra do mago, dessa vez centrado em Jennsen:

¨A vida é o futuro, não o passado.¨
—Capítulo 60, pag. 549, Edição americana

O tempo todo Jennsen é exposta a situações e personagens que a desafiam a mudar seus conceitos do que considera certo e errado. Ela também é pressionada a decidir se deve seguir o caminho da vingança (visão do passado) ou começar uma nova vida (visão do futuro).
O tema do livro continua seguindo a filosofia Objetivista(*) apresentada no livro anterior, Fé dos Derrotados.

(*)Teoria Objetivista

O Objetivismo é uma filosofia criada pela filósofa Russo-Americana e novelista Ayn Rand (1905-1982).
A ideia central do objetivismo diz que a realidade existe independentemente da consciência, e os seres humanos tem contato com a realidade através da percepção dos sentidos, obtendo o conhecimento através do contato vindo dessa percepção e de conceitos formados e lógica indutiva, e que o propósito moral da vida é a perseguição da própria felicidade (ou interesse próprio racional). A teoria também diz que o único sistema social conscistente com essa moralidade é o capitalismo com pleno respeito aos direitos individuais e um sistema legal justo, e que o objetivo ideal da vida é transformar as ideias metafisicas que reproduzem a realidade em uma forma física-um trabalho de arte-que possamos compreender e responder emocionalmente.
Rand dizia que o Objetivismo é a ¨filosofia para viver na terra¨, com o pé na realidade, e focada na definição da natureza humana e do mundo em que vivemos.

¨Minha filosofia, na sua essência, é o conceito de Homem como um ser heróico, tendo a felicidade como o propósito moral da sua vida, a conquista produtiva como sua mais nobre atividade, e a razão como seu único referencial.¨
—Ayn Rand, A Revolta de Atlas

Atualização: Atendendo à pedidos, coloquei um link na minha página no Facebook com os livros que tenho no formato digital: https://www.facebook.com/leiturasparalelas

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