O Cemitério de Praga – Umberto Eco

O Cemitério de Praga é o mais recente livro do mais importante intelectual italiano da atualidade, mestre nos estudos de semiótica.

Conta a história do Captão Simone Simonini, um aventureiro imoral, falsificador e assassino eventual. De acordo com Eco: “Os personagens dessa novela não são imaginários. Excetuando o personagem principal, todos eles existiram na realidade, incluindo o seu avô, autor da misteriosa mensagem ao abade Barruelo que deu origem a todo moderno anti-Semitismo.”

Eco escreve com maestria este romance, que usa fatos históricos que deram origem aos Protocolos dos Sábios do Sion, que inspiraram a “Solução Final” de Hitler, o extermínio dos judeus. Trata também do Caso Dreyfus, das intrigas das polícias secretas de países diferentes e dos Maçons. Alguns dos personagens não-ficcionais que aparecem na novela sâo: Sigmund Freud, Léo Taxil, Diana Vaughan, Eugène Sue e Maurice Joly.

• O Cemitério Judeu de Praga (Fonte: Wikipédia)

  Não se sabe exatamente quando o cemitério teria sido fundado, tendo   havido muitas discussões entre especialistas. Alguns levantam a hipótese do cemitério ser mais de 1000 anos mais antigo do que as datas comumente aceitas (1ª metade do século XV). Teria sido fundado pelo rei Otokar II da Boêmia.

Conforme a Halachá, os judeus não devem destruir os túmulos de seu povo e também as tumbas não devem ser removidas. Isso se deveu ao fato particular de que, quando os cemitérios precisavam se expandir e era impossível aos judeus comprar mais terras, mais camadas de terra eram postas sobre as sepulturas existentes. As antigas lápides eram retiradas e recolocadas sobre a nova camada de solo. Isso explica a razão das lápides estarem tão próximas umas das outras. São 12 as camadas de sepulturas no cemitério judeu de Praga.

O cemitério teria sido o local secreto das reuniões conspiratórias dos “Anciãos do Sião”, local onde os Os Protocolos dos Sábios de Sião, um plano sionista para dominar o mundo (Nova Ordem Mundial (teoria conspiratória)), foram criados. Essa informação foi mencionada pela primeira vez em 1868, no romance “Biarritz” de Hermann Goedsche, o qual possivelmente inspirou a polícia secreta da Rússia Czarista a criar o “protocolo dos Sábios do Sião]] para incentivar o antissemitismo na Rússia. Assim, os “Protocolos” passaram a ter vida própria e foram considerados como autênticos e verdadeiros por pessoas como Adolf Hitler e muitos outros inimigos dos judeus. A obra de Umberto Eco, “O Cemitério de Praga” se refere a esse especto.

  • Impressões Pessoais sobre o livro

Sou admirador do trabalho de Umberto Eco, e, como era de se esperar, o livro segue nos seu melhor estilo: envolvente, personagens de moral duvidosa e cínicos, utilizando fatos históricos para criar um romance intrigante.

Gostei da forma como ele mostrou as origens do anti-semitismo moderno, da forma como os agentes envolvidos trabalharam para propagar seu ódio e ideias doentias.

O Capitão Simonini é apenas a amálgama que une de forma insidiosa personagens e fatos reais que culminaram em eventos que mancharam a história da humanidade, como o Holocausto.

• Notas de Leitura

Cabe aqui um elogio ao aplicativo iBooks da apple: Ele dá outra dimensão à leitura, permitindo fazer anotações, pesquisar termos na web, e exportar os resultados. Segue abaixo algumas de minhas notas durante a leitura.

1. O passante que naquela manhã cinzenta – 25 de julho de 2012

(teratos=monstro + logos=estudo) Termo médico que descreve anomalias e deformidades congênitas. Gárgulas, por exemplo, são exemplos de antiguidades teratológicas.

4. Os tempos do meu avô- 25 de julho de 2012

Hassan-i-Sabbah (1034-1124), ou o velho da montanha, dominou a fortaleza de Alamut,
no coração das montanhas Elbourz, a 1800m de altitude no Irã. Criou o culto islâmico dos
hashashin, ou assassinos, viciados em haxixe e em sexo desde muito jovens, e apenas se
seguissem cegamente as ordens do líder retornariam ao vício. De 1090 a 1256 os Assassinos cometeram grande número de assassinatos políticos, sempre com adagas ou venenos. Aliaram-se aos templários para se oporem aos sunitas.

22. O diabo no século XIX – 30 de julho de 2012

Caso Dreyfus é uma história real: ele foi perdoado em 1899, e libertado, após constatarem que o real traidor era o Major Ferdinand Walsin Esterhazy

21. Taxil – 31 de julho de 2012

Personagem real: foi um grande difamador da maçonaria…

23. Doze anos bem vividos – 31 de julho de 2012

Niilismo (do latim nihil, nada) é um termo e um conceito filosófico que afeta as mais
diferentes esferas do mundo contemporâneo (literatura, arte, ciências humanas, teorias
sociais, ética e moral). É a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e
de resposta ao “porquê”. Os valores tradicionais depreciam-se e os “princípios e critérios
absolutos dissolvem-se”. “Tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão. A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho, avistar um ancoradouro”.

23. Doze anos bem vividos – 31 de julho de 2012

Alusão à impotência de Simonini

Armance é, cronologicamente, o primeiro dos grandes romances de Stendhal. Quando
comparado a obras-primas como O vermelho e o negro e A cartuxa de Parma, porém, este romance de 1827 é considerado ambíguo — e isso por uma razão muito simples: toda a trama é articulada ao redor de um segredo sobre a vida do protagonista que nunca é revelado, o que tornaria obscuras as motivações deste livro sobre o amor idealizado e a renúncia ao casamento. A chave para se entender a trama estaria numa carta de Stendhal a Mérimée (publicada na presente edição), na qual ele explicita o motivo que impede a consumação do amor entre o visconde Octave de Malivert e sua prima, Armance de Zohiloff: seu herói sofre de babilanismo, ou seja, impotência sexual.

23. Doze anos bem vividos – 31 de julho de 2012

Qualquer semelhança com os “estudantes profissionais” da USP não é mera coincidência!
Certas coisas nunca mudam…

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